6ª feira, 06 de novembro de 2026
Coincidência ou não, mas, na sequência da vitória de Lula contra os Bolsonaros no Brasil, vieram as derrotas no nazista judeu Benjamim Netanyahu e do líder mundial da extrema-direita Donald Trump e, agora, a derrocada (derrocada da extrema-direita) no Paraguai – em processos distintos que conectam desonestidade pessoal, ampla corrupção, irresponsabilidade econômica e perversidade social em diferentes graus que produzem efeitos semelhantes.
Neste jogo de dominó em andamento, na esteira da quebra do Ueno Bank, caiu o presidente do Paraguai, o economista-corrupto e para banqueiro Santiago Peña (o qual, deve-se registrar, foi acionista do grupo controlador do Ueno Bank até março de 2025).
Para quem não sabe, lançado oficialmente em novembro de 2023 pelo Grupo Vázquez, o Ueno Bank – um espécie de ‘aprendiz qualificado do Banco Master – foi o primeiro banco 100% digital do Paraguai e, com a proteção do próprio presidente Santiago Peña (assim como teria acontecido com o Banco Master se Flávio Bolsonaro tivesse vencido as eleições), passou a operar papéis sem lastro e, no curso de crescimento rigorosamente inconsistente, terminou por dominar a cena financeira do Paraguai.
Acontece que, assim como aconteceu com o Banco Master, a bolha vazia estourou e, transformado num sopro inerte, o Ueno Bank entrou em colapso e implodiu, transformando em fumaça as poupanças e depósitos de cerca de 3 milhões de clientes – em sua maioria, aposentados, trabalhadores e pequenos empreendedores.
Sem acesso às contas, aplicativos, cartões e recursos financeiros, tendo como luz-no-fim-do-túnel o futuro ressarcimento pelo Fundo de Garantia de Depósitos (uma espécie de FGV, que cobre até 228,3 milhões de guaranis, correspondentes a US$ 38 mil), os clientes lesados entraram em justificável desespero e as ruas de Assunção foram tomadas por protestos generalizados.
De imediato, evocando as estreitas ligações do presidente Santiago Peña com Víctor Hugo Vázquez (a versão paraguaia de Daniel Vorcaro), a oposição esquerdista pediu o seu Impeachment. Daí em diante as coisas aconteceram céleres: junto com a abertura do processo de Impeachment, da renúncia do presidente do Banco Central paraguaio Juan Manuel Gustale (uma espécie de Roberto Campos Neto do Paraguai) e da ordem de prisão aos executivos do banco, muitos ratos tentaram abandonar o navio.
Em lance desesperado prontamente rejeitado pelo Senado, Santiago Peña apresentou a renúncia (no Paraguai, os ex-presidentes assumem o cargo vitalício de senador, passando a desfrutar de imunidade) e o país mergulhou em um oceano de incertezas.
De qualquer forma, além de deixar mais claro o regime de promiscuidade que relaciona da Direita com o crime organizado, o episódio desmoralizou o discurso dos críticos do regime desenvolvimentista levado adiante pelo governo Lula que apresentava o Paraguai como ‘a Suíça construída pelo capitalismo liberal nos trópicos’, levando a que muitos bolsonaristas fizessem a emigração.
O Impeachment de Santiago Peña é certo.
A dúvida é sobre qual será o próximo líder liberal capitalista a cair.
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