3ª feira, 28 de julho de 2026
Vivemos tempos muitos rápidos.
Tempos marcados pelo envelhecimento acelerado, não só por conta dos avanços científicos e tecnológicos, mas, também, por conta das leituras e releituras dos fatos, em processo que implica em obsolescências precoces e ‘narrativas inovadoras’.
De qualquer forma, mesmo seguindo o curso normal da modernidade, as coisas se amontoam, cumprindo um dinamismo (eventualmente errático) que faz parecer antigo aquilo que aconteceu recentemente.
Naturalmente, este fenômeno é mais perceptível quando se refere às existências de movimentação densas e intensas, nas quais, de tão marcante, o comportamento do hoje subjuga o ontem e remete o anteontem para as calendas.
É neste caso que se enquadram os Bolsonaro’s – uma patota de vida marcada por sucessão de tolices e irregularidades tão absurdas que levam as pessoas a só lembrarem das [tolices e irregularidades] mais recentes e, mesmo, a ‘esquecer’ das [tolices e irregularidades] mais antigas.
Aliás, provavelmente já sabendo lidar com peça de arte de vida útil muito curta (pois, rapidamente estará ultrapassada pelos fatos e, portanto, envelhecida), na 5ª feira passada, dia 23 de julho de 2026, o Instituto Conhecimento Liberta (ICL) apresentou o documentário ‘Flávio Bolsonaro: a verdadeira história sobre o filho do zero um’, cujo enredo é centrado na carreira política do senador Flávio Bolsonaro, revivendo a sua conturbada história recente e lembrando fatos e episódios já esmaecidos na lembrança da maioria das pessoas.
Por pinçar fatos do passado, o documentário é muito perigoso, especialmente porque o sucesso do ‘Projeto Flávio Bolsonaro’ depende da memória curta das pessoas.
Não foi sem razão, portanto, que, no dia seguinte ao lançamento do filme, o Partido Liberal entrou com processo junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para proibir a sua exibição.
De qualquer forma, nos termos da velocidade dos dias correntes, dois dias após a estreia do filme, por ocasião da convenção que o consagrou para a disputa presidencial, Flávio Bolsonaro meteu-se em novas trapalhadas – desta vez, associando seu nome ao israelense Benjamin Netanyahu e ao argentino Javier Milei -, protagonizando um episódio que, naturalmente, torna incompleto (e, neste sentido, obsoleto) o documentário das tolices e irregularidades. Aquela turma sempre surpreende com novidades.
Depois das rachadinhas, da loja de chocolate, das compras milionárias com dinheiro vivo, do roubo da ilha de Richarlisson, dos Irmãos Brasão, de Fabrício Queiroz, de Adriano da Nóbrega, de Luiz Filipi Mourão, de Daniel Vorcaro, de Javier Milei, do Tarifaço, das promessas do pix e das terras raras aos Estados Unidos e de tantas, o que mais vem por ai?
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