Via de regra as elites sudestinas veem o Nordeste e os nordestinos com os olhos atravessados.
O preconceito decorre das mazelas morais inerentes ao elitismo (mais presentes nas xurebas) e, também, por razões de natureza política (as elites não perdoam os nordestinos pelas sucessivas derrotas amargadas pelos candidatos apresentados pela Direita).
E, no embalo da xenofobia, ao tempo que (indevidamente) responsabilizam o Sul e o Sudeste pela riqueza do País, os sudestinos depreciam o nordestino, chamando-no de cabeça-chata, acusam-no de sobreviver graças ao Bolsa-Família, de mendigar a ajuda federal, enfim de exercer o coitadismo e de ‘depender do governo federal para tudo’.
Mas não é bem assim. Conforme bem apontou o saudoso Sebastião Barreto Campello, numa impensável divisão do Brasil, o Nordeste levaria vantagem e teria melhores condições de seguir como país independente.
Esta situação fica mais evidente quando se atenta para a lista dos Estados devedores da União – um rol isento de estados nordestinos e que apresenta São Paulo e Minas Gerais como ‘maiores devedores’.
O interessante é que, se jactando de serem os ‘motores da economia’, os Estados-devedores fazem de tudo para não pagar aquilo que devem à União (em atitude que tripudia dos Estados que cumprem os contratos e pagam seus débitos).
Agora, por exemplo, graças a uma decisão do ministro André Mendonça em pedido de liminar apresentado pelo governo de Tarcísio de Freitas, a União vai ser obrigada a fazer nova repactuação da gigantesca dívida de São Paulo, ficando impedida de aplicar sanções, restrições de crédito e cobranças baseadas nas regras firmadas na negociação anterior.
E, assim, empurrado com a barriga e ‘repactuando as dívidas’, sem deixar de cobrar e de receber o apoio do governo federal, os Estados ricos não pagam aquilo que devem à União.
Ao fazer sucessivas ‘repactuações’ da dívida dos Estados ricos, a União perde a autoridade moral para cobrar a dívida dos estados pobres.
Mesmo assim, como se nada acontecesse, o governo federal continua prestigiando ‘motores da economia’ e, alguma forma, tratando os outros Estados (que, em sua maioria, são os menores devedores da União) como se fossem membros menores da Federação e dependessem de esmolas da União.
Leia mais em
www.alexandresanttos.com.br
a reprodução é permitida e desejável, especialmente se a fonte for registrada
