O ‘funcionamento das instituições’ é item fundamental para a dinâmica social de um país. A tese geral é a de que, ‘se as instituições estão funcionando, a vida social também funciona’. Por esta razão, mesmo durante as crises (ou, especialmente, durante elas [as crises], as autoridades costumam falar na ‘solidez do sistema’ e, à guisa de argumento, recorrem ao mantra ‘as instituições estão funcionando normalmente’.
Mas, isto será verdade? As instituições estariam funcionando?
Há muitas dúvidas quanto a isto.
Será que, se funcionassem de fato, as instituições permitiriam a candidatura presidencial de gente que cultiva relacionamento promíscuo com potência estrangeira e promete entregar o País a ela? Juristas de renome dizem que, se funcionassem normalmente, ao invés de permitir que gente desta espécie concorra ao cargo mais importante do País, as instituições deveriam enquadra-la em crimes lesa-pátria.
E o que dizer da presença de tantos ladrões e mentirosos na vida pública? Como, no curso de um ‘funcionamento normal’, as instituições permitem que toda sorte de bandido se candidate aos cargos públicos?
Não. As instituições não estão funcionando normalmente.
Aliás, para a dinâmica social ganhar um padrão de normalidade aceitável é necessário que as instituições sejam reformadas e passem a atuar conforme mandam os desejos de bem-estar, de crescimento econômico e de soberania nacional desejados pela sociedade.
Nesta perspectiva, inicialmente, a sociedade precisa reconhecer que as ‘instituições não funcionam bem’ e, mais ainda, admitir que o padrão de ‘normalidade’ a ele atribuído [pelas elites] não atende suas expectativas.
Na realidade, até alcançar um patamar minimamente aceitável de funcionamento, as instituições e os padrões a elas associados precisam passar por aperfeiçoamentos, os quais, entre outros indicadores de sucesso, devem contemplar a existência de mecanismos automáticos de aplicação de rígidos padrões de depuração da vida pública.
Enquanto corruptos, ladrões, entreguistas, lesa-pátrias e sanguessugas estiverem na vida pública não se pode falar no ‘funcionamento normal’ das instituições.
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