Sempre imperiais, desde 1960, os Estados Unidos impõem severo embargo a pequenina Cuba, em cruel processo – que à despeito das resoluções da Assembleia Geral das Nações Unidas (desde 1992, com o voto contrário dos estadunidenses e israelenses, a ONU exige o fim do bloqueio econômico a Cuba) – vem ganhando intensidade, provocando o lento genocídio da população, incluindo velhos, grávidas, nutrizes, crianças e bebês.
Um crime inominável, que bem aponta a perversidade do regime estadunidense.
Mas, a vida prega peças interessantes.
Agora, em resposta aos brutais ataques dos Estados Unidos e de Israel ocorridos em 28 de fevereiro de 2026, o Irã fechou o Estreito de Ormuz por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, impondo um severo embargo que, elevando o preço do barril a patamar superior de US$ 120, atinge a economia de todos os países, incluindo, naturalmente, os Estados Unidos.
A medida tomada pelo Irã tocou um ‘barata-voa’ na Casa Branca, a qual, talvez ainda sem perceber a ironia da situação, começou a sentir na própria pele uma amostra daquilo sentido pelos cubanos desde 1960.
Aliás, o efeito do embargo decretado pelo Irã à economia dos Estados Unidos tende a ganhar força com as recentes decisões com objetivo de ‘reconfigurar’ o controle sobre o movimento naval no Estreito de Osmuz, mantendo-o fechado para navios ‘inimigos’.
De sua parte – sem atentar que faz com Cuba aquilo que o Irã está fazendo com os Estados Unidos -, Donald Trump esbravejou ao saber que o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) determinara o completo fechamento do estreito ao navios dos Estados Unidos e de seus parceiros (só estão liberados navios da China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão) e quase teve um chilique quando descobriu que, com medo de entrar na ‘lista negra dos Aiatolás’ (assim com fazem diante da ‘Lei Helms-Burton’ que recrudesce o embargo a Cuba), os países da OTAN não aceitavam participar da força militar por ele proposta para tentar abrir o Estreito à força.
Num mundo de sonhos, entre as exigências do Irã para acabar com o fechamento do Estreito de Ormuz, deveria constar o encerramento do embargo a Cuba.
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