Mais uma vez, o Nordeste e o setor ferroviário se unem para lutar pela ressurreição do modal em nossas terras.
Vale lembrar que – não se sabe a razão (eu tenho minhas desconfianças) – lá atrás, em 1997, o governo de FHC desmontou o transporte ferroviário no Brasil, esquartejando e desnacionalizando a velha e querida Rede Ferroviária Federal (RFFESA), cabendo ao Nordeste uma tal Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), entregue a preço de banana ao espertalhão Benjamin Steinbruch, que tratou de completar o esbulho, iniciando por trocar o nome da empresa, que, provavelmente para gerar as confusões que lhe são convenientes, passou a se chamar Transnordestina Logística S/A.
O triste fato é que, com olhos no dinheiro ao alcance de novos projetos, Benjamin Steinbruch abandonou a malha ferroviária regional – uma prova disso é a extinção do famoso ‘Trem do forró’, que levava turistas para conhecer os festejos juninos em Caruaru e deixou de existir por absoluta falta de trilhos àquela cidade – e [Benjamin Steinbruch] passou a concentrar atenções apenas à construção e operação da ferrovia Transnordestina (um projeto que, convertido em sumidouro de recursos federais, reduziu a ideia original de uma ferrovia trans-regional em simples estrada férrea para alimentar o Porto de Pecem, no Ceará.
Agora, encorpando as vozes consequentes desejosas de fortalecer o transporte ferroviário no Brasil, os nordestinos querem a retomada do projeto original da Transnordestina e, formando um seguimento especial dentro do conjunto maior, os pernambucanos desejam que a ferrovia chegue ao Porto de Suape.
Com esta perspectiva, em processo que vem incorporando progressivamente largos setores da sociedade, a Assembleia Legislativa de Pernambuco criou grupo para impulsionar a discussão do assunto.
Aliás, há pouco, por ocasião de palestra proferida no âmbito de comissão da Assembleia Legislativa pelo coordenador da Câmara Temática de Engenharia Ferroviária do Clube de Engenharia de Pernambuco André Lopes sobre a situação do Ramal Salgueiro Suape, os presidentes Alexandre Santos, do Clube de Engenharia de Pernambuco, Heloisa Moraes, do Sindicato de Engenheiros de Pernambuco, e Luiz Cláudio, do Sindicato dos Ferroviários de Pernambuco, manifestaram o sentimento da comunidade técnica.
Da minha parte, em posição comungada por algumas das principais vozes do Pais, entendo que o Estado deve reestatizar o sistema e, como já é feito em muitas praças, praticar a venda da capacidade de carga para empresas interessadas.
Não será nas mãos da iniciativa privada, egoista e gulosa que o trem reocupará a posição de destaque que lhe cabe na matriz de transportes do País.
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