No dia 07 de abril de 2026, curvado às pressões da China, o presidente Donald Trump adiou os seus planos de assassinar “uma civilização inteira” e, em nota oficial na qual citou a mediação do Paquistão através do primeiro-ministro Shehbaz Sharif e do marechal-de-campo Asim Munir e registrou a proposta de 10 pontos formulada pelo Irã, a qual considerou “uma base viável sobre a qual negociar”, anunciou a suspensão dos ataques militares contra o Irã ‘por duas semanas’ – um período no qual seriam realizadas ‘negociações por um acordo de paz duradouro no Oriente Médio’.
De sua parte, classificando o recuo dos Estados Unidos e a aceitação do plano de 10 pontos, como uma ‘uma grande vitória’, o governo do Irã distribuiu nota oficial comentando a situação e explicitando os 10 pontos considerados “uma base viável sobre a qual negociar” por Donald Trump.
Os dez pontos do plano proposto pelo Conselho Superior de Segurança Nacional do Irã para a celebração da paz foram os seguintes: 1. organização do tráfego pelo Estreito de Ormuz de forma coordenada com as Forças Armadas do Irã, conferindo ao país um papel econômico e geopolítico decisivo no estreito; 2. O fim da guerra contra todos os componentes do ‘Eixo da Resistência’, o que a Irã apresenta como um reconhecimento do fracasso das operações militares israelenses; 3. A retirada das forças de combate americanas de todas as bases e pontos de implantação militar na região; 4. Criação de um protocolo de segurança oficial para a navegação no Estreito de Ormuz que garanta à Irã um papel de supervisão de acordo com um mecanismo acordado; 5. Pagamento de indenizações integrais à Irã pelos danos de guerra com base em uma avaliação abrangente das perdas sofridas, 6. Suspensão total de todas as sanções primárias e secundárias impostas à Irã; 7. Revogação das resoluções contra a Irã emitidas pelo Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica, bem como pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas; 8. Libertação de todos os ativos e fundos iranianos congelados no exterior; 9. Aprovação dessas disposições em uma resolução vinculativa a ser emitida pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas; e 10. Transformação do acordo em lei internacional vinculativa, de modo a garantir sua implementação e consolidar os ganhos de segurança e políticos do Irã.
Pronto!
Dando ao mundo a esperança de que, finalmente, a Humanidade experimentaria dias de paz naquela região, o Irã e os Estados Unidos marcaram encontro em Islamabad para discutir o plano que levaria à celebração de um acordo.
O otimismo do mundo foi torpedeado logo no primeiro dia de cessar-fogo, quando, sempre sedento de sangue, Benjamin Netanyahu comandou mais uma operação genocida contra a população do Líbano – um ataque traiçoeiro que levou o presidente da Turquia Recep Tayyip Erdoğan afirmar que “se a guerra se prolongar e o Paquistão não alcançar a paz, nosso dever é atacar Israel”.
Mesmo assim, sob o comando do presidente do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf, o Irã enviou uma delegação de alto nível ao Paquistão para o encontro marcado para o sábado, 11/04.
Mas, como bem ficara demonstrado nos dias seguintes, ao invés de paz, os Estados Unidos estavam mais interessados em ganhar tempo para recompor as suas tropas.
Com efeito, sem tocar no plano apresentado pelo Irã, o vice-presidente J.D. Vance – que fora designado por Trump para liderar a delegação estadunidense – quis impor a vontade do Tio Sam aos Persas, exigindo a reabertura do estreito de Ormuz sem a assinatura de um acordo de paz e a entrega ou a venda de todo o estoque de urânio enriquecido em poder do Irã.
Como esperado, o Irã recusou o embuste e, para deixar claro que não estava brincando, mandou os Estados Unidos estancarem o avanço dos seus navios de guerra em curso para o Estreito de Ormuz, sob pena de “destruí-los em apenas 30 minutos”.
As negociações voltaram à estaca zero e, de sã consciência, ninguém sabe dizer o que vem por ai. De qualquer forma, de tão chamuscada pelo montão de besteiras por ele feitas desde o seu retorno à Casa Branca, progressivamente a situação de Donald Trump ganha complicadores.
Agora, por exemplo, atendendo a um pedido do representante Jamie Raskin, o Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados solicitou ao médico da Casa Branca um exame cognitivo para verificar se Donald Trump tem condições de permanecer no cargo, em claro indicador de que a Emenda 25 permanece no radar dos congressistas.
Será muito difícil Donald Trump concluir o segundo ano de mandato.
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