O mundo está estarrecido com o golpe financeiro aplicado a partir do funcionamento do Banco Master – um trambique cujas repercussões podem, no dizer de alguns, alcançar a estonteante cifra de R$ 500 bilhões.
Como Daniel Vorcaro pode ter articulado um golpe desta magnitude?
Ora, além de um cérebro prodigioso (infelizmente dedicado às coisas do mal), Daniel Vorcaro contou com uma vasta rede de parceiros, em diversas esferas de atuação e graus de envolvimento e cumplicidade.
Pode ser até que exista alguém satisfeito com a mera liquidação do Banco Master, prisão (momentânea) de Daniel Vorcaro e ressarcimento de alguns valores a pessoas lesadas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Na realidade, isto nada significa.
O situação ideal seria o restabelecimento da história na hipótese da não realização do golpe, mas, como isto é impossível, a sociedade espera, não só o ressarcimento aos prejudicados, mas, também, a severa punição dos responsáveis pela construção do esquema fraudulento e, ainda, a adoção de medidas capazes de impedir a sua repetição.
Infelizmente, ao que parece, não é isto o que vai acontecer.
De fato, com o assassinato do sicário Luiz Philippi Mourão na carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte em 04 de março de 2026, será muito difícil desvendar a rede de corrupção que dava suporte às ações de Daniel Vorcaro no submundo dos órgãos policiais e jurídicos nos quais [ele, o sicário] atuava.
Por outro lado, para não ter os próprios podres investigados e revelados, tanto o senador Davi Alcolumbre como o deputado Hugo Motta resistem a possibilidade de instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito no Senado Federal e na Câmara dos Deputados.
Resta a investigação da Polícia Federal, a ação do jornalismo investigativo (como fez e faz o Intercept Brasil) e, naturalmente, as possibilidades abertas pelo mecanismo da delação premiada de gente como o próprio Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa (se não tivesse sido calado para sempre, o sicário Luiz Philippi seria um grande possibilidade).
Acontece que, provavelmente por medo de vir a ter o mesmo destino do sicário, eles [Vorcaro e Paulo Henrique] não querem ‘fazer pipi para cima’ e, com isso, gente como Ibaneis Rocha, Cláudio de Castro, Roberto Campos Neto, Davi Alcolumbre, Hugo Mota, Artur Lira, Ciro Nogueira, Flávio e Jair Bolsonaro e tantos outros bandidões estão se safando.
Depois que a Polícia Federal rejeitou a proposta da delação proposta por Daniel Vorcaro, veio à tona que a desavença teria surgido, não pela sua recusa em incriminar medalhões, mas pela ‘insuficiência’ do valor que o meliante aceita devolver.
À Procuradoria Geral da República, Daniel Vorcaro teria dito que, em troca dos benefícios pleiteado, aceitaria devolver R$ 60 bilhões.
Isto é um absurdo!
Quer dizer que a questão não é a incriminação dos parceiros do andar de cima e sim o dinheiro que o meliante aceita devolver?
O dinheiro desviado deveria estar fora de questão, pois se a autoridade aceitar a devolução de um centavo a menos daquilo que foi roubado, estará sendo cúmplice do golpe.
A devolução dos valores deve ser ‘plena, total e irrestrita’ e não pode figurar como elemento de negociação.
O assunto que interessa à sociedade (e que deve ser o objeto da negociação) é a parceria que viabilizou a aplicação do golpe.
O país precisa depurar o seu universo politico e administrativo e não será negociando a devolução de dinheiro que se vai conseguir isto.
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