A Bolívia está em pé de guerra.
Em reação a crise na qual o governo de Rodrigo Paz mergulhou o país, o povo está nas ruas e, em meio a severa escassez de alimentos e de combustíveis, pede a sua renúncia.
Para melhor compreensão daquilo que ocorre hoje na Bolívia é necessário um rápido passeio na história recente do país.
Em 2019, inconformadas com os avanços sociais, econômicos e diplomáticos da Bolívia, as elites se insurgiram e, com o apoio de líderes neopentecostais à frente de unidades da polícia, aplicaram o golpe de Estado que impediu a renovação do mandato do presidente Evo Morales e entregou o país a usurpadora Janine Añes – uma senadora agalegada submissa às vontades da ‘FariaLima’ local (todo canto tem uma ‘FariaLima’) e internacional), que só se sustentou no poder por três anos, quando foi julgada e condenada a 10 anos de cadeia por golpe de Estado.
Dedicada a cumprir as vontades das elites, Janine Añes cumpriu um governo desastroso e, por mais que fizesse em contrário, não conseguiu barrar o retorno das Esquerdas à presidência do país (que, sob o comando de Luis Arce, receberam o país destroçado pela curta gestão da usurpadora Janine Añes (que esteve para a Bolívia assim como Michel Temer esteve para o Brasil).
Começou, então, nova luta das Direitas para barrar o avanço do povo boliviano e, no embalo de fraudes de todas as natureza, em outubro de 2025, conseguiu eleger Rodrigo Paz – um senador conservador e reacionário, que acenou com a maluquice ‘capitalismo para todos’ e, abraçando a receita liberal preconizada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), se empenhou no corte de gastos públicos e na abertura de mercado (eufemismo que se refere ao escancaramento da economia nacional ao estrangeiro).
Assim como aconteceu no curto governo de Janine Añes (e com qualquer outro governo inspirado nas teses liberais), o governo de Rodrigo Paz provocou a pior crise financeira já vivida pela Bolívia, com exaustão das reservas em dólares, inflação elevada, problemas na produção de gás natural, congelamento dos salários e fim de subsídios aos combustíveis.
Não deu outra: o povo voltou às ruas – sindicatos, mineiros, professores e organizações indígenas todos estão juntos, pedindo a saída do Washington’s boy Rodrigo Paz.
Não se sabe qual será o defecho da crise na Bolívia, mas, de qualquer forma, o povo boliviano está mostrando ao mundo como se deve tratar aqueles que burlam a democracia para chegar ao poder e, principalmente, tratar aqueles que usam o poder para beneficiar as elites locais e internacionais.
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