Sábado, 01 de agosto de 2026
A relação entre Estados é, obviamente, um assunto de Estado e, naturalmente, não pode sujeito às vontades deste ou daquele governo. Afinal de contas, os governos passam e os Estados permanecem.
Na realidade, longe de irrelevante, a opinião dos governos e dos governantes é muito importante para a questão, pois interfere decisivamente nos seus aspectos conjunturais e circunstanciais.
De qualquer forma, esta ‘interferência’ não deve ser decisiva, especialmente quando o assunto transcende mandatos. Esta é uma das razões de os Tratados precisarem ser aprovados pelos Congressos e Assembleias Nacionais para entrar em vigor.
Acontece que as diferenças entre questões de Estado e de governo não são percebidas (ou respeitadas) por muitos governantes, especialmente pelos mais rudes e mais broncos. Lembre, por exemplo, o tratamento dedicado à China pelo governo Bolsonaro ou a decisão pessoal de Javier Milei que barrou o ingresso da Argentina nos BRICS ou, ainda, as guerras decretadas por Donald Trump contra a Venezuela e o Irã sem qualquer comunicação ao Capitólio.
Em contraponto a este comportamento, observe o tratamento dado pelo governo Lula às relações do Brasil com Israel e com a Argentina – sobre as quais, impõe o ‘esfriamento’ exigido pela conjuntura, e, sem ceder às tentações de momento, reconhece o caráter permanente das relações entre os Estados e, sequer, cogita em rompimentos definitivos.
Este modo de ver a questão, no entanto, não tem o acolhimento dos brutos.
Imagine que, ontem – ao tempo que, na condição de líder maior da República da Colômbia, o presidente Gustavo Petro visitava Cuba para ‘reforçar e impulsionar as relações entre os dois países -, seguindo o propósito isolacionista preferido pela extrema-direita, junto com o anúncio do fechamento de 12 embaixadas (Argélia, Azerbaijão, Barbados, República Tcheca, Etiópia, Gana, Haiti, Hungria, Malásia, Romênia, Senegal e África do Sul) e da suspensão da abertura de uma embaixada na Palestina, o presidente eleito Abelardo De la Espriella anunciou o rompimento das relações diplomáticas [da Colômbia] com Cuba e Nicarágua.
Não deveria ser assim.
A relação entre os países não pode ficar ao sabor das coisas passageiras.
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