4ª feira, 09 de setembro de 2026
Ontem, dia 08 de setembro de 2026, na sequência da confusão aprontada ao pedir a abertura de investigação contra o colega Alexandre de Moraes e sentindo-se liberado pela pífia reação do Supremo Tribunal Federal (STF) aos seus ranger-de-dentes, o ministro bolsonarista André Mendonça cavou mais alguns metros no abismo no qual pretende jogar o País e – atendendo a uma simples solicitação do Partido Novo para “evitar constrangimentos ilegais e permitir que autoridades e servidores atuem sem interferência” – [André Mendonça] interviu na Polícia Federal (PF), determinando o afastamento preventivo do diretor-geral Andrei Rodrigues e do diretor de inteligência policial Leandro Almada (aplicando, então, um golpe de morte na estrutura investigativa da PF).
A banda pensante da sociedade ficou pasma com a atitude de André Mendonça, não só pela irresponsabilidade e ousadia da intromissão num órgão da estrutura do poder executivo, mas, também, porque, sob o comando das autoridades afastadas, a Polícia Federal vem tendo comportamento irretocável em casos sensíveis e importantes, como as operações ‘Desconto Zero, ‘Carbono oculto’ e ‘Compliance Zero’ e as investigações dos golpes de Daniel Vorcaro.
De sua parte, sentindo-se ofendidos e vendo esvair-se a liberdade de ação garantida pelo governo Lula, todos os superintendentes regionais da Política Federal entregaram os cargos, em eloquente manifestação indignação, revolta, apoio aos delegados afastados e repúdio à atitude do ministro bolsonarista.
Demonstrando estar orientado por golpistas experientes, ágil como um raio, André Mendonça submeteu sua decisão à segunda turma do STF (onde, por também contar com a presença dos ministros Kássio Nunes Marques e Luiz Fux, o bolsonarismo tem maioria) e só não conseguiu imediata aprovação da sua irresponsabilidade graças a manobra do decano Gilmar Mendes, que pediu ‘vistas ao processo’, barrando a tramitação.
A esta altura do jogo, não há mais qualquer dúvida sobre as intenções do bolsonarista André Mendonça – o qual, nunca se pode esquecer, criou uma poderosa blindagem para proteção de Flávio Bolsonaro e, por pensamentos, palavras e gestos, demonstrou estar no bolso de Daniel Vorcaro.
Tendo verificado o potencial explosivo das denúncias contra o ministro Alexandre de Moraes, André Mendonça esqueceu as injustiças que fazia contra Fábio Luiz e tratou de articular as linhas gerais de um plano LavaJato 2 para melar o processo eleitoral em curso e, assim, justificar um golpe contra a Democracia brasileira.
É hora de o STF aplicar um freio-de-arrumação na confusão aprontada pelo ministro bolsonarista André Mendonça e retomar a direção de modo a evitar a completa desmoralização do poder judiciário.
O presidente Edson Facchin precisa anular a intervenção determinada por André Mendonça na Polícia Federal, retomar e redistribuir a condução dos casos Master e INSS a outros ministros e suspender o sigilo sobre todos os processos a eles pertinentes.
Embora não haja qualquer dúvida sobre a mal-intenção de André Mendonça, a sociedade brasileira não sabe se o presidente Facchin tem coragem para enfrentar a situação. A situação é gravíssima e, além de inteligência e força, exige coragem (coisas que nem todos têm).
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