3ª feira, 13 de outubro de 2026
Quando o ministro Celso de Mello se aposentou do Supremo Tribunal Federal (STF) em outubro de 2020, todo o mundo imaginou que, conforme tinha ameaçado antes, o então presidente Jair Bolsonaro viesse a indicar um jurista ‘terrivelmente evangélico’ para sucede-lo.
Não ocorreu assim.
De fato, contrariando as expectativas e surpreendendo muita gente, o indicado para suceder Celso de Mello foi o piauiense católico Kássio Nunes Marques, desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Acontece que, mais do que ‘terrivelmente evangélico’, Kássio Nunes Marques era afilhado político do então ministro-chefe da Casa Civil Ciro Nogueira (aquele da propina mensal de R$ 500 mil bancada por Daniel Vorcaro) – galardão suficientemente forte para bancar sua indicação para o cobiçado cargo.
O tempo passou e, agora – formando, juntamente com os ministros André Mendonça e Luiz Fux, a bancada bolsonarista no STF -, mesmo completamente envolvido no escândalo do Banco Master, Kássio Nunes Marques sucedeu a ministra Carmen Lúcia na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – um cargo de extrema importância, no qual tem a chance de reiterar sua gratidão à família Bolsonaro, como vem fazendo desde novembro de 2020 (quando assumiu o cargo de ministro do STF).
Com efeito, embora não tenha evitado a derrota de Ciro Nogueira (que, completamente desmoralizado, não conseguiu se reeleger para o Senado pelo estado do Piauí), Kássio Nunes Marques vem usando abertamente a presidência do TSE para favorecer a campanha de Flávio Bolsonaro e, ao mesmo tempo, prejudicar a campanha de Lula.
De tão acintosa, a postura facciosa de Kássio Nunes Marques vem incomodando os demais ministros do TSE (excetuando o vice-presidente André Mendonça, claro), que, nas decisões levadas ao plenário, têm reformado muitas das suas decisões monocráticas (decisões monocráticas de Kássio Nunes Marques), impondo-lhe vergonhosas e merecidas derrotas.
A grande realidade é que o ministro Kássio Nunes Marques, somado ao aparato do mal – no qual se alinham ombro-a-ombro o mercado financeiro, o pool liderado pelo Grupo GLOBO, as forças mobilizadas pela Casa Branca e as elites nacionais e internacionais – está decidido a impedir o avanço civilizatório no Brasil, fazendo-o regredir à condição de colônia ou de republiqueta de bananas.
Evocando o seu apadrinhamento pelo corrupto Ciro Nogueira, o mais experientes e aqueles que o conheceram do Piauí não se surpreendem com o comportamento de Kássio Nunes Marques, pois, afinal de contas, dizem eles, “não se pode esperar o nascimento de maçãs de um pé de giló”.
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