Tendo consolidado um comportamento imperial, os Estados Unidos perderam a condição de conviver harmoniosamente com os demais países e, mesmo, de sediar ar organismos internacionais.
Com efeito, depois de se habituar a impor a velha regra do ‘Ou dá ou desce’ para normalizar um regime unipolar que cobra submissão econômica e salamaleques de diplomáticos em reciprocidade às suas patadas e agressões, a Casa Branca esqueceu outras formas de relacionamento e, finalmente, perdeu todas as condições de conviver com esquemas que naturalmente deveriam ser participativos.
Nos dias correntes, gerando um problema que precisa ser superado com brevidade, o modo imperial de pensar, de ser e de agir dos Estados Unidos vem demonstrando a incompatibilidade do país com a condição de sede mundial de organismos internacionais.
Esta situação ficou mais claro em recentes episódios nos quais os Estados Unidos negaram visto diplomático para autoridades norte-coreanas, iranianas, venezuelanas, palestinas, cubanas, russas e brasileiras, prejudicando a realização de encontros importantes, inclusive alguns promovidos pela ONU, até mesmo a sua Assembléia Geral.
Embora a Casa Branca ache normal o uso dos seus direitos aduaneiros para condicionar o funcionamento das atividades multinacionais (recentemente, os Estados Unidos negaram visto à delegação cubana para modular o resultado do campeonato continental de voleibol), há um sentimento universal da urgente necessidade de modificação deste regime.
Aliás, como uma espécie de lição, o Brasil (que enfrentou sérias dificuldades para obter vistos para sua comitiva à Assembleia-Geral da ONU) não convidou os Estados Unidos para a segunda edição do encontro ‘Em Defesa da Democracia e Contra o Extremismo’ a ser realizada em Nova York, no dia seguinte a abertura da assembleia-geral das Nações Unidas, com a participação dos presidentes Lula, do Brasil, Yamandú Orsi, do Uruguai; Gustavo Petro, da Colômbia; e Gabriel Boric, do Chile, e, ainda, o primeiro-ministro da Espanha Pedro Sánchez.
Embora plena de significados, esta ‘sanção’ aplicada aos Estados Unidos (forçando-o à condição de ‘estrangeiro em sua própria terra’) pode funcionar como excelente tapa com luva de pelica, não consegue superar o problema decorrente da empáfia imperialista do Tio Sam.
Para se ajustar aos novos tempos, as relações internacionais não podem estar condicionadas à vontade unilateral de um único país, precisando, pois, ser reformuladas de modo a reconhecer o multilateralismo e a autodeterminação dos Povos.
De qualquer forma, dada a incapacidade de os Estados Unidos abrigarem organismos internacionais, a comunidade das Nações deveria criar sedes alternativas em ambientes imunes a pressões e tentações imperialistas do Tio Sam.
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