O jeito Lula de ser, de pensar e de agir ainda vai provocar muita urticária nos egoístas e preconceituosos que se abrigam no Centrão e no Bolsonarismo (neste texto, como em muitos outros da minha lavra, os termos ‘Bolsonarismo’ e ‘Bolsonarista’ são usados em referência a extrema-direita e seus líderes e militantes).
Imagine que agora, aos temas do fim da escala 6×1, da taxação dos super-ricos e da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, Lula propõe juntar a gratuidade do transporte público por ônibus.
Outro tema de grande importância para a Justiça Social!
Com efeito, depois de conhecer detalhes do modelo apresentado em 2012 pelo então ministro da Educação Fernando Haddad à presidente Dilma Rousseff, Lula pediu estudos de viabilidade para um projeto capaz de zerar a tarifa de ônibus, como já ocorre em 137 cidades do País, beneficiando mais de 7 milhões de brasileiros.
Segundo os estudos já existentes, o impacto da medida no Orçamento é de R$ 60 bilhões – um montante que, comparado com os R$ 500 bilhões torrados com subsídios transferidos para setores econômicos já consolidados, é até modesto.
O conceito do modelo apresentado por Haddad em 2012, defendia que o transporte público fosse subsidiado pelo transporte privado, numa lógica que também busca reduzir a dependência dos automóveis individuais e ampliar o acesso da população, a partir de um subsídio cruzado no qual uma taxa sobre os combustíveis usados pelo transporte individual financia o custo do transporte coletivo urbano.
Naturalmente, uma mudança deste porte implicará em grandes reformas no modelo de concessão e de financiamento do transporte público em nível nacional, um vespeiro de grandes proporções e ninho de interesses financeiros gigantescos.
Acontece que (como Lula sabe e tem feito por toda a vida) não se promove avanços sociais sem atiçar chacais e hienas poderosas.
A gratuidade do transporte público por ônibus pode representar um grande impulso na melhoria da qualidade de vida urbana com a inclusão da população periférica em direitos garantidos em Lei, além de promover significativo alívio no orçamento das famílias de baixa renda e incentivar o uso do transporte coletivo.
Esta não será uma luta fácil. Logo, logo, acompanhados de gente de todos os matizes do Centrão, os bolsonaristas vão erguer trincheiras para combater a ideia e, usando o lógica egoísta do ‘cada um por si’, vão dizer que os proprietários de automóveis não têm porque subsidiar os usuários do sistema público de transportes por ônibus.
A luta vai ser grande!
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