No começo de agosto, reagindo à tomada da mesa-dirigente do plenário da Câmara dos Deputados pelos bolsonaristas, o deputado-presidente Hugo Motta se encheu de brios e, parecendo tomado por uma força que nunca mostrou ter, decidiu punir os 14 deputados-baderneiros e encaminhou denúncias de ‘obstrução da cadeira da Presidência’ à Corregedoria Parlamentar, propondo o afastamento por até seis meses dos deputados Nikolas Ferreira, Sóstenes Cavalcante, Marcos Pollon, Zé Trovão, Júlia Zanatta, Marcel van Hattem, Paulo Bilynskyj, Zucco, Allan Garcês, Caroline de Toni, Marco Feliciano, Bia Kicis, Domingos Sávio, Carlos Jordy e, ainda, da deputada Camila Jara (acusada de ter agredido um baderneiro).
A Corregedoria Parlamentar, no entanto – que parece não ter assistido o motim mostrado pela TV para todo o País nos dias 05 e 06 de agosto e, como todo mundo, não reconhece autoridade no deputado-presidente -, aplicou a modicidade cabível ao espírito de corpo e, em 19 de setembro, contrariando ‘o afastamento por até seis meses’ recomendado por Hugo Motta, [a Corregedoria Parlamentar] deu sequência aos processos encaminhando-os ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados com sugestão de suspensão dos mandatos de apenas três deputados (Marcos Pollon por 90 dias e Marcel Van Hattem e Zé Trovão por 30 dias) e, para não dar argumento para quem fala na blindagem que protege aquele pessoal, sugeriu a aplicação de censura escrita aos 14 parlamentares envolvidos no motim.
É evidente que o espírito de corpo da Corregedoria também está presente no Conselho de Ética e, até agora, nada aconteceu aos deputados-barderneiros que, ao tomar de assalto a mesa dirigente, travaram o funcionamento do Congresso Nacional nos dia 05 e 06 de agosto de 2025.
Na prática, a atitude condescendente da Corregedoria Parlamentar e a inação do Conselho de Ética funcionam como uma espécie de ‘anistia contínua’ para os deputados-baderneiros, que continuam a agir impunemente, comprometendo a realização da Democracia no País.
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