Houve um tempo no qual o homem não contava com qualquer assistência externa. Era ele, os companheiros, o tacape e a Natureza. Só isso. Eram tempos simples e, por conta disso, árduos e perigosos.
Depois, o desenvolvimento científico e tecnológico se encarregou de criar cercas, autonomia econômica, armas, calçados, bússolas, radares, relógios, agendas, telefones e tudo o mais, dando praticidade à vida e, com isso, mais comodidade e alguma angústia.
O passar do tempo trouxe mais avanços e, com ele, novidades, sofisticação das modernidades e o sincretismo das coisas, reunindo em poucos artefatos aquilo que outrora era feito através de diversas formas, tornando obsoletos antigos avanços como os telefones, as agendas, as bússolas, as carteiras, os talões de cheques, os aparelhos de rádio e outros tantos, então substituídos por equipamentos únicos capazes de operar aplicativos que contam o tempo, informam as horas, fazem previsão meteorológica, tocam músicas, reproduzem programas, abrem e fecham portas, permitem a vigilância remota, fazem a conexão instantânea entre pessoas e grupos, podem fazer pagamentos e transferências bancárias, podem até ser programados para explodir para causar destruição e matar pessoas.
Não aparece sem razão a angústia vivida pelas pessoas repentinamente privadas do uso dos aplicativos embarcados nos celulares pelo fim da carga da bateria, pela sua perda ou esquecimento, pela instabilidade ou ausência do sinal da internet (do qual as pessoas ‘modernas’ dependem para tudo) ou, pior, pela intervenção intencional das bigtechs que controlam as ondas e a mídia eletrônica, estabelecendo aquilo que podemos (ou não) saber e aqueles com quem podemos (ou não) nos comunicar.
Na realidade, ao tempo que cria grilhões, a evolução científica e tecnológica tem nos levado por caminhos desconhecidos e a destinos que não queremos ou que não estamos habituados.
Talvez seja o caso de a Humanidade aplicar um freio-de-arrumação e verificar quais caminhos e quais destinos lhes são mais convenientes.
Aliás, a Humanidade não pode entregar a um punhado de iluminados o condão de escrever o seu destino.
Afinal de contas, a inteligência não é privativa de alguns e, como diz a canção, ‘quem sabe, faz a hora, não espera acontecer’.
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