Por estes dias, falando sobre a atual apatia e, mesmo, aversão dos brasileiros em relação a seleção canarinha, o jovem atacante Endrick criticou a torcida, horrorizado com aqueles que chegam a torcer pela Argentina.
Se fosse um pouquinho mais velho ou fosse mais ligado na política brasileira, o tal Endrick saberia que há uma razão concreta para o fenômeno.
De fato, além da excessiva monetarização do esporte (acabou o amadorismo que tanta paixão despertava), ainda está muito presente o movimento da extrema-direita brasileira que, especialmente a partir de 2013, como parte da campanha preparatória do golpe de 2016 e dos passos dados a seguir (foi instalado um processo permanente de golpismo), açambarcou o verde-amarelo da seleção e todos os outros símbolos nacionais (o hino, a bandeira e tudo mais).
Não é sem razão que, ao ver alguém vestido com a camisa da seleção ou um carro exibindo a bandeira nacional, as pessoas logo imaginam estar diante de um bolsonarista.
Assim, de alguma forma, no imaginário das pessoas, torcer por um time fardado com um padrão verde-amarelo significa torcer por algo, mesmo indiretamente, associado ao bolsonarismo.
Como forma de reaproximar as pessoas da seleção brasileira, talvez seja o caso de mudar as cores do padrão.
Não é fácil torcer por gente que parece idolatrar algo que a sociedade repudia.
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