Ontem, com os ares imperiais que os presidentes dos Estados Unidos costumam ter, Donald Trump usou a pompa proporcionada pela Casa Branca para anunciar uma trégua de três dias na guerra no Leste da Europa entre Rússia e Ucrânia, tranquilizando as celebrações em comemoração ao Dia da Vitória programadas para hoje, em Moscou.
No anúncio, imediatamente transmitido através da sua rede social Truth Social, Donald Trump informou que, além da suspensão das atividades militares, a trégua envolve a troca de 1.000 prisioneiros pelos beligerantes.
Reforçando a postura imperial, o presidente dos Estados Unidos disse que sua decisão decorria de um pedido de cessar-fogo feito diretamente a ele.
É muita petulância.
De qualquer forma, deixando claro a quem deve obediência – como se não tivesse tomando conhecimento da trégua unilateral declarada pelo presidente Vladimir Putin em comemoração ao Dia da Vitória (no qual os russos celebram a derrota imposta pelo exército vermelho às tropas de Hitler na II Guerra Mundial) -, o presidente Volodymyr Zelenskyy se apressou em dizer que a Ucrânia obedeceria ao cessar-fogo anunciado por Donald Trump, “permitindo a realização do desfile militar da Rússia na Praça Vermelha”.
Pronto! Está resolvido: Trump estabelece a trégua, determina a troca de prisioneiros e tudo o mais que quiser.
Ora, se, não sendo parte envolvida (como os líderes da Europa ocidental e os Estados Unidos teimam em dizer), Donald Trump tem poder para estabelecer a trégua, também o teria [teria o poder] para celebrar a Paz.
E por que não o faz? Da duas, uma: não quer ou não tem o poder que diz ter.
Na realidade, a resposta envolve um misto das duas coisas, pois, se de um lado, a Ucrânia só está sustentando a guerra contra a Rússia porque conta com o suporte dos Estados Unidos (os quais, neste caso, têm grande ingerência sobre as decisões de Kiev), de outro [lado], o poder alardeado por Washington é eivado basófia e, na realidade, mais representa uma vontade do que, mesmo, um poder real.
Em todo caso, o comportamento de Donald Trump aumenta a sua responsabilidade pelas mortes e pelo sofrimento causado pelas guerras em curso por todo o Planeta.
Afinal de contas, se bem intencionado, o Senhor da Guerra pode redirecionar seu poder para constituir-se no Senhor da Paz.
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