Antigamente, o termo ‘Direita burra’ era a forma genérica usada como referência às pessoas aversas às modernidades, às teses humanistas, pacifistas, libertárias. Hoje, aquela turma continua sendo burra e, talvez como forma de facilitar sua identificação, [ela] se coloca contra tudo aquilo que possa fazer as pessoas mais nutridas, mais felizes, mais alegres, enfim mais humanas.
Naturalmente, os cientistas políticos usam outros indicadores (e que, no fundo, levam às mesmas conclusões) e dizem que a Direita se caracteriza pela defesa intransigente do chamado ‘direito de propriedade’ e das liberdades individuais, fazendo do livre mercado, da meritocracia, da preservação de valores tradicionais, do chamado ‘Estado mínimo’ e da hierarquia social suas profissões de fé.
Seguindo esta cartilha, as pessoas de Direita defendem um regime de convivência baseado no Egoísmo, no qual os interesses individuais prevalecem sobre os [interesses] coletivos, o famoso cada-um-por-si, no qual se inclui a redução dos impostos, desregulamentação das sociedades e coisas assim (o que, objetivamente, cria uma situação autoritária e concentradora, amplamente desfavorável àqueles que não precisam de proteção).
Para muitos, a forma mais clara de caracterizar as pessoas de Direita é o comportamento baseado no Egoísmo como norma de conduta em detrimento da Solidariedade (norma de conduta que caracteriza a Esquerda).
E, neste embalo, como a Direita não contribui para o bem-estar da maioria, nada mais justo do que associa-la à burrice, daí vem o termo ‘Direita burra’ e, como consequência natural, o termo ‘pobre de Direita’ (que alcançam um patamar mais elevado de burrice, pois são aqueles que mais sofrem nos regimes orientados pela Direita).
De qualquer forma, não satisfeitos com os males decorrentes do pensamento de Direita, os mais egoístas radicalizam as suas ideias e propõem um receituário mais absurdo referido como ‘extrema-direita’, o qual, além de elevar as características da Direita à várias potências, acrescenta a rígida estratificação social (com a opressão às categorias mais humildes e submissão às melhores posicionadas nas escalas politicas, econômicas e sociais), preconceitos de diversas naturezas e valores reacionários. O verdadeiro inferno.
Assim, se ao pessoal da Direita, muitos se referem como ‘direita burra’ (e, no caso dos pobres, suprimindo a burrice implícita no conceito, a referência se reduz a ‘pobre-de-direita’), ao pessoal da extrema-direita, como deveria ser a referência? Direita-ultra-burra?
Embora alguns não percebam, há uma grande diferença entre a Direita e a extrema-direita, inclusive pelo jeito de ser dos seus adeptos (por serem ultra-radicais, os militantes da extrema-direita costumam ser intragáveis no trato social).
No Brasil, com a ascensão politica de Jair Bolsonaro, a extrema-direita sufocou a direita e, do ponto de vista concreto, age e fala como se fosse a legítima representante das Direita(s). Vales registrar que há uma resistência de muitos segmentos da Direita (especialmente daqueles mais próximos do centro), os quais, apesar da militância no campo à Direita, não aceitam o radicalismo da extrema-direita e, muito menos, a liderança de Bolsonaro.
Com efeito, o bolsonarismo não representa toda banda Direita do espectro político brasileiro – condição que explica, por exemplo, a significativa rejeição enfrentada pela candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro naquelas paragens.
De qualquer forma, por não desejar o bem e o bom para todos, a Direita não representa uma opção razoável para a sociedade. Tenho dito.
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