Sábado, 06 de junho de 2026
Entre as muitas formas de relacionamento vertical, estão a ‘admiração’ (quando o ídolo admirado é idolatrado e serve de inspiração para o pupilo, o qual, tentando ‘ser ele’ [ser o ídolo admirado], passa a imita-lo) e a ‘devoção’ (quando, independentemente das vontades externadas, o ídolo endeusado inspira a vontade do devoto que se esmera em agradá-lo).
No caso da relação inspirada por Donald Trump nos seus bajuladores (como, de modo geral, inspirada por qualquer presidente estadunidense naqueles que têm os Estados Unidos como objeto de devoção), se observa um vergonhoso comportamento de subserviência extrema.
Veja, por exemplo, a forma quase cega como todos os políticos estadunidófilos proclamam vontade de radicalizar os programas conservadores de política econômica e [levar programas] de desestatização às últimas consequências como forma de agradar a Casa Branca.
Neste embalo, FHC privatizou a rede ferroviária, a companhia Vale do Rio Doce, o sistema Telebrás; o usurpador Michel Temer propôs a privatização de 75 estatais; Jair Bolsonaro fez uma lambança no patrimônio público, entregando tudo o que pode (o programa de desestatização de Bolsonaro-Guedes abrigou o maior caso de corrupção já verificado na história do Brasil) à iniciativa privada, inclusive a Eletrobrás; Tarcísio de Freitas privatizou a SABESP; e vai por aí.
Se chegasse à presidência da República, com o fito de agradar a Donald Trump, Flávio Bolsonaro iria propor a privatização do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, da Petrobras, do BNDES, da Casa da Moeda e, quem sabe, do Banco Central.
Na cabeça dos bajuladores não passa qualquer questionamento sobre a forma como os Estados Unidos tratam a questão dos desequilíbrios fiscal, orçamentário e comercial; ou a presença do Estado em setores estratégicos (como corre com a agência espacial, com alguns setores da produção de energia, e coisas assim).
Agora, por exemplo, em eloquente exemplo de que, ao se tratar de setores estratégicos, a presença do Estado se faz necessária, a Casa Branca anunciou que, numa brilhante jogada do Departamento de Comércio, vai ‘investir’ US$ 1,6 bilhão na aquisição de ações da mineradora USA Rare Earth – a empresa que que, com o beneplácito e aplausos da Direita brasileira comprou a mineradora Serra Verde, única empresa que faz prospecção comercial de terras raras no Brasil.
Com a manobra, Tio Sam (que exige uma postura privatista dos seus baba-ovos, vai assumir 16,1 milhões de ações ordinárias da USA Rare Earth e cerca de 17,6 milhões de warrants, adquirindo, assim, o direito de ampliar compra de suas ações no futuro.
Este comportamento do governo dos Estados Unidos realça a simbologia do provérbio popular ‘faça o que eu digo, não faça o que eu faço’ e o vira-latismo daqueles que seguem a recomendações da Casa Branca.
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