O sonho de Clara. Alexandre Santos. Recife: Edições Moinho, 2021. 270p.
Roberto R Martins
Um romance interessante, diferente, tendo como fundo uma análise econômica do Brasil recente, e um projeto de um Brasil futuro, com base na utopia do solidarismo, a “Solieska”.
E que tem a ver com o sonho de Clara? Ela não era militante política, irmã de uma militante, mas sempre solidaria. E sonha com um novo Brasil, como o que, ao fim, está sendo construído.
Os personagens principais são membros de uma “célula”, como se fosse um partido, uma articulação de esquerda que se reúne muito na terra do autor, Pernambuco, Recife, e se refere a algumas cidades nordestinas, como Floriano-Pi (o que me fez relembrar que lá estive em fins de março de 1964, comício no dia 31 defendendo as reformas de base, chegada a Teresina dia 1º, prisão no dia 6), e muita coisa em Brasília.
Mas a chave é o golpe de 2016, com a deposição de uma presidenta, e os governos ultraliberais de Augusto Vile e depois de Jota Austro, que promovem um verdadeiro desmonte do Estado brasileiro, o que já havia sido começado pelo governo de F. Hagar. Mas enfim os ultraliberais perdem a eleição, com uma boa articulação da célula, é eleito presidente do Brasil Novo, Marcos Túlio.
Então começa a implantação da Solieska. Dá-se uma sucessão de importantes medidas econômicas e suas consequências sociais, que criam um estado geral de felicidade, onde existe, até um ministério do bem estar.
Livro que merece ser lido, pois contém muitas informações sobre o Brasil recente, especialmente sobre a situação econômica e a projeção de um Brasil Novo., estabelecendo os princípios do solidarismo.
