3ª feira, dia 07 de julho de 2026
Por estar cravada na Amazônia – uma região rica em biodiversidade, petróleo, minerais e água doce – a Colômbia é um país estratégico para os interesses dos Estados Unidos na América do Sul. Não ocorreu sem razão a estruturação das teorias da dominação baseadas no ‘combate ao narcotráfico’ e no ‘controle da guerrilha’ para enquadra-lá permanentemente na alça de mira do Tio Sam.
Nesta perspectiva, da mesma forma que os governos de Álvaro Uribe e de Iván Duque caíram como luva para Washington, a administração de Gustavo Petro foi apenas ‘tolerada’ (e, permanentemente, alvo de projetos mudancistas para favorecer a oposição colaboracionista).
E, neste embalo, constitucionalmente impedido de concorrer a um segundo mandato, Gustavo Petro apresentou o filosofo e senador Iván Cepeda para disputar as eleições.
Em oposição, a extrema-direita apresentou a candidatura de Abelardo de la Espriella – um milionário sibarita, fundador e líder de um tal movimento Defensores da Pátria, criado em 2024 para dar sustentação ao seu projeto presidencial -, que representava (e representa) os interesses entreguistas favoráveis aos Estados Unidos. Pois bem.
Em resultado turvo, contestado pela banda consciente da sociedade colombiana, Abelardo de la Espriella foi declarado vencedor do segundo turno das eleições presidenciais ocorridas em 21 de junho de 2026.
A resistência ao questionável resultado das ‘eleições’ se instalou e aumentou quando veio à tona a dupla nacionalidade de Abelardo de la Espriella, o qual, depois de muitos rumores, admitiu a nacionalidade estadunidense. Aliás, lembrando que, assim como ocorre com todos que alcançam a cidadania dos Estados Unidos, Abelardo de la Espriella precisou jurar o compromisso de ‘colocar a Constituição norte-americana acima de qualquer outro interesse’, Iván Cepeda constatou a sua incompatibilidade [incompatibilidade de Abelardo de la Espriella] com o exercício da presidência da Colômbia.
E, assim, apesar de já ter sido reconhecido pelos Estados Unidos e pelo governo Lula (que, ao contrário daquilo que fez com o presidente Nicolas Maduro, não quis ver as ‘atas da eleição’) e estar com a posse marcada para hoje, Abelardo de la Espriella vai enfrentar grandes obstáculos para governar, pois são muitos os processos que colocam dúvida não apenas sobre os resultados eleitorais, mas, também, sobre própria condição jurídica para o exercício do cargo.
De qualquer forma, talvez por saber da morosidade como a Justiça age neste casos, Gustavo Petro anunciou que não reconhece Abelardo de la Espriella como presidente e, de sua parte, Iván Cepeda anunciou uma campanha nacional de desobediência civil contra o novo governo.
Que confusão, hein?
É cedo para qualquer prognóstico em relação a Colombia, mas, como Abelardo de la Espriella conta com o apoio da Casa Branca, a banda consciente da sociedade está torcendo contra ele.
Leia mais em www.alexandresanttos.com.br
A reprodução é permitida e desejável, especialmente se a fonte for citada
