4ª feira, 24 de junho de 2026
Em matéria de festas populares, o Nordeste é campeão.
Conforme apontam os estudiosos do folclore, no Nordeste há um identidade própria para cada época e momento do ano. Nos dias correntes, o mundo vive os ‘festejos juninos’ e, naturalmente, cada lugar e cada povo tem o seu jeito de homenagear os ‘santos do mês’ (Santo Antônio, São João e São Pedro).
No Nordeste, no entanto, estes festejos ganham um toque especialíssimo, a começar pelo período em que ocorrem: as festas iniciam na segunda quinzena de maio e só terminam no começo de julho.
E todo o período se veste de São João.
Na culinária, as mesas são tomadas pelos pratos de milho (milho assado e cozido, pamonha, canjica, bolo de milho) e pé-de-moleque.
A indumentária ganha toques matutos, com os tecidos quadriculados e as roupas artificialmente remendadas.
As faces ganham maquiagens especiais, com pintinhas nas moças e bigodes e cavanhaques nos rapazes.
Os céus se enchem de balões e do colorido do fogos luminosos e barulhentos.
As festas iluminadas por fogueiras e agitadas pelo risco incerto dos busca-pés são animadas por ‘forrós pé-de-serra’ (além do cantor, uma zabumba, um triângulo e uma sanfona), que capricham no baião, forró e xaxados.
Como ponto alto das festas de São João (que podem ocorrer em qualquer dia do período junino) ocorrem as famosas ‘quadrinhas’ – uma coreografia desorganizada (quanto mais improvisada e desorganizada melhor) inspirada nas danças das cortes francesas, cheias de balancês, alavantus e anarriês (uma bagunça divertida), marcada por um ‘casamento matuto’, com ‘padre’, ‘delegado’, ‘noiva’, ‘noivo’ e tudo (quase sempre o ‘noivo’ tenta fugir, sendo perseguido e capturado pelo ‘delegado’).
Quem nunca teve a chance de participar de uma festa de São João no Nordeste ainda está em débito consigo mesmo e não sabe o que está perdendo.
Infelizmente, talvez por não compreender a riqueza cultural do momento, alguns ‘produtores culturais’ (de meia tigela) estão corrompendo o São João, enchendo as suas festas de bandas ortodoxas, de músicas sertanejas, de quadrilhas estilizadas, de roupas de rodeio e mais um montão de bobagens pasteurizadas.
Uma pena!
Mas, apesar dos corruptores da cultura, o espírito junino resiste e, mesmo fustigado pelos estrangeirismos e modernidades sem sentido, continua a embalar a festa de São João do sonho dos nordestinos.
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