5ª feira, 23 de julho de 2026
Pouco importando o significado etimológico de Democracia (governo do povo), a qual interpreta de diversas formas (em função do objetivo pretendido), o termo ‘luta pela Democracia’ constitui bandeira que sempre motivou e animou debates por toda parte.
Ao lado de grandes lutas populares contra regimes elitistas e/ou autoritários, o termo ‘luta pela Democracia’ tem dado guarida a manobras políticas escusas, que atendem aos interesses sobretudo dos Estados Unidos (país que, espertamente, avocou e assumiu a imerecida condição de ‘paradigma da Democracia’), que a converteram [converteram a ‘luta pela Democracia ‘] em doutrina de dominação.
De fato, sempre que interessa aos Estados Unidos (e só quando lhes interessa) a ‘luta pela Democracia’ vem sendo usada para derrubar governos antipáticos à Casa Branca (e muitas vezes democráticos).
Nesta perspectiva – enquanto convive sem reação significativa
1) com golpes contra resultados eleitorais lícitos (como ocorreu na Venezuela, onde os EUA sequestraram o presidente Nicolás Maduro, e na Palestina, onde na esteira dos ventos soprados pela ‘Primavera Árabe’, a Casa Branca não reconheceu a vitória do Hamas sobre a OLP),
2) com o uso de Lawfare para excluir lideranças e, assim, modular o resultado de eleições (como ocorreu no Brasil, onde Lula foi impedido de disputar o pleito presidencial de 2018, na Argentina, na Bolívia, no Equador, onde líderes com Cristina Kirshner, Evo Morales e Rafael Correa estão impedidos de participar dos pleitos);
3) com as eleições tomadas na mão grande, como recentemente ocorreu no Peru e na Colômbia; e
4) com as pressões terroristas dos Estados Unidos para derrubar governos, como ocorre em Cuba e no Irã,
a chamada mídia ocidental (eufemismo usado para designar a mídia que segue a orientação da Casa Branca) vem esgoelando a decisão anunciada no domingo, 19 de julho de 2026, por ocasião das comemorações do 47º aniversário da Revolução Sandinista de 1979 (que derrubou o ditador Anastasio Somoza), na Praça da Fé, em Manágua, pelo presidente Daniel Ortega de suspender eleições na Nicarágua.
Ao contrário daquilo que (não) falou quando, em março de 2024, Volodimir Zelensky suspendeu as eleições na Ucrânia, a mídia ocidental vem condenando a decisão de Daniel Ortega, considerando-a ‘antidemocrática’.
Na realidade, consciente de que, ao contrário da ‘definição’ que os Estados Unidos querem impor, Democracia não é um processo de escolha de governo e, sim um modo de governar (o governo do povo, pelo povo e para o povo), de olho naquilo que recentemente ocorreu no Peru e na Colômbia e naquilo que Marco Rubio prepara para o Brasi, Daniel Ortega está decidido a impedir que os colaboracionistas, vassalos e antidemocráticos cheguem ao poder para entregar o governo aos caprichos de Washington.
Enquanto a mídia não passar a classificar como antidemocráticos aqueles que governam de costas para o povo, não terá autoridade política para falar de Democracia.
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