2ª feira, 03 de agosto de 2026
Depois do cacete que levou do Irã, quando sentiu na própria pele a diferença que o controle de um estreito estratégico pode fazer nas relações globais, os Estados Unidos resolveram assumir o Estreito de Gibraltar, através do qual circula todo o tráfego marítimo com origem e destino no norte da África e sul da Europa.
Na realidade, como no lado europeu, na península Ibérica, está o rochedo de Gibraltar – um território ultramarino do Reino Unido e, portanto, ‘amigo’ da Casa Branca -, os Estados Unidos estão decididos a assumir o controle do ‘outro lado’ [do Estreito], o lado africano, que é constituído pela cidade autônoma de Ceuta – um enclave espanhol plantado em pleno território do Marrocos, com quem faz fronteira por todos os lados, a exceção do norte, onde é banhado pelo Mar Mediterrâneo.
É nesta perspectiva que deve ser compreendida a ‘crise migratória’ vivida por Ceuta nestes últimos dias, quando, estimulados por agentes a serviço da Casa Branca, repentinamente cerca de 60 mil marroquinos a invadiram, buscando chegar a Espanha.
Ao estimular a invasão de Ceuta, os Estados Unidos pretendem, junto com o enfraquecimento do governo do presidente Pedro Sanchez (que lhe é desafeto), provocar uma crise humanitária capaz de mobilizar a opinião pública mundial em favor a retomada da soberania plena do território pelo Marrocos (que, além de simpático a Casa Branca, não conseguiria barrar a pressão militar do Tio Sam).
Em resumo: a invasão em massa de Ceuta foi induzida pelos Estados Unidos, que querem assumir o controle do Estreito de Gibraltar.
Acontece que o governo de Pedro Sanchez não é tolo e, de pronto, mobilizou o Exército espanhol para fazer os invasores retornar ao Marrocos. É muito cedo para qualquer conjectura em relação a Ceuta ou, mesmo, ao governo de Pedro Sánchez.
Uma coisa, no entanto, é certíssima: a gula do Tio Sam é insaciável e, usando o coturno de Donald Trump, pode se meter em qualquer aventura, pouco importando as consequências.
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