6ª feira, 16 de outubro de 2026
Tentando manter o inexplicável otimismo que vem usando para esconder o medo do sopro da virada vindo das ruas, a turma de Flávio Bolsonaro alardeou ter recebido em 13 de outubro de 2026 um tal ‘Projeto Brasil de Amanhã’ com as sugestões das classes empresariais para o seu eventual governo.
Além de chamar atenção por não estar correspondido e ter o contraponto de sugestões formuladas por outras categorias sociais e econômicas (indicando que, por representar o interesse de apenas um pequeno pedaço da sociedade, a candidatura de Flávio Bolsonaro é capenga e estreita), de alguma forma, o tal ‘Projeto Brasil de Amanhã’ lembra aquele ‘Muda Brasil’ elaborado por Arnaldo Madeira, Armínio Fraga, Edmar Bacha, Elena Landau e Mansueto Almeida para a campanha de Aécio Neves em 2014 (e que deu base para o ‘Uma Ponte para o Futuro’ que norteou o governo golpista de Michel Temer).
Com efeito, a guisa de melhorar ambiente de negócios e dar ao País a modernidade esperada pelas elites, o ‘Brasil de Amanhã’ – que foi elaborado foi elaborado em conjunto pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal, que é liderado pelo economista ultraconservador Marcel Solimeo da Associação Comercial de São Paulo, e pela Fundação Internacional para a Liberdade (FIL Brasil), cujo idealizador e presidente de honra é o antigo ministro Paulo Guedes – [o Projeto Brasil de Amanhã] indica as reformas estruturais e econômicas por elas julgadas essenciais.
Dando corpo às propostas de Daniella Marques e Adolfo Sachsida, o Projeto Brasil de Amanhã propõe a elevação gradual da idade mínima de aposentadoria, a desvinculação do piso do INSS do salário mínimo, a atualização dos limites do Simples Nacional pela inflação e a revisão de gastos públicos, apresenta diretrizes para os setores de energia e rodovias, apresenta planos para ‘modernização do Estado’ com redução do número de funcionários públicos, extinção da estabilidade funcional, privatização do Banco do Brasil, Caixa Econômica, Petrobras, SUS e importantes segmentos da administração pública; propõe a revisão do programa bolsa-família, revisão e eventual extinção de programas sociais, revisão da reforma tributária, revisão da reforma trabalhista priorizando a reversão do fim da jornada 6×1 e outros ajustes.
Evitando falar abertamente na revogação da Lei Áurea, mas lançando as bases do Estado mínimo e do Império da plutocracia, o Projeto Brasil de Amanhã traduz com precisão o Brasil dos sonhos de Flávio Bolsonaro.
Leia mais em www.alexandresanttos.com.br
A reprodução é permitida e desejável, especialmente se a fonte for citada
