Mais do que agir como um conselho de profissionais – aliás, como o próprio nome já diz -, o Confea precisa se constituir em um autêntico Conselho das Engenharias e, nesta condição, exercer o protagonismo que a sociedade espera dos homens das Engenharias (de todas as formações e denominações) – categorias responsáveis pela construção do mundo artificial.
Ao contrário daquilo que muitos pensam, inclusive os legisladores (que, eventualmente, se debruçam sobre o sistema), o Conselho Federal da Engenharia e da Agronomia não deve ser um mero cartório para o registro de diplomas profissionais, para a anotação de registros de responsabilidade técnica, para dirimir sombreamentos, para definir atribuições e coisas assim. Não. O Confea precisa ser muito mais do que isto. Além de cumprir as tarefas ‘burocráticas’ de hoje em dia, precisa assumir a condição de organismo vivo capaz de reunir, consolidar, impulsionar e tracionar as vontades, as competências, as capacidades criativas, os talentos e relacionamentos dos ‘homens das Engenharias’ de modo a maximizar a contribuição do setor ao crescimento econômico, promoção do bem-estar social e realização da soberania nacional.
Apesar da enorme participação na dinâmica social do País, a contribuição dada pelas Engenharias está muito aquém daquilo que poderia oferecer caso o Confea tivesse consciência da importância política, social e econômica das categorias profissionais que orbitam a sua estrutura legal.
De fato, ao invés de exclusivamente voltada para o interior das categorias por ele representadas, o Confea precisa redirecionar as suas preocupações e voltar-se para fora, externalizando as suas atenções, de modo a ampliar a influência das Engenharias nos processos decisórios dos grandes projetos nacionais e na formação da opinião pública.
Nesta perspectiva cabe perguntar sobre qual a explicação para a ausência dos líderes das Engenharias nos processos que levam às grandes decisões nacionais. Qual a razão de o Confea não participar dos colégios decisórios mais importantes do País? Mais do que descaso do governo para com os homens das Engenharias ou o seu desprestígio (dos engenheiros), esta situação revela um grave equívoco dos líderes do sistema Confea, os quais, ao invés de fazer valer a força de categorias responsáveis pela construção de mais de 65% de PIB e reclamar lugar de destaque nos círculos decisórios do governo, preferem cuidar de aspectos essencialmente técnicos e/ou alinhar-se com forças negacionistas e acomodadas.
Não é sem razão, portanto, que, neste momento – um momento no qual os profissionais se preparam para as eleições que vão renovar os quadros dirigentes do sistema -, a banda consequente e preocupada da comunidade técnica está preocupada em aproveitar a chance de colocar na presidência do Confea um colega, não só consciente da força econômica e política das categorias profissionais, mas, também, experiente, competente, corajoso e disposto a exercer a liderança do processo capaz de colocar a Engenharia no patamar de reconhecimento e de respeitabilidade compatível com os seus méritos.
Os homens das Engenharias não podem desperdiçar a chance da qual poderá emergir o protagonismo que, por todos os conhecimentos e talentos acumulados, podem vir a exercer.
Que o Confea venha a ser presidido por algum colega pronto para o desafio de fazer a Engenharia ser reconhecida como um elemento estratégico do processo de desenvolvimento do País.
2026 04 01 A importância das eleições do Sistema liderado pelo Confea
(*) Alexandre Santos é engenheiro civil, ex-presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco, membro da Academia Pernambucana de Engenharia e coordenador-geral da série ‘Engenharia & Desenvolvimento’
