Os mais experientes sabem que, especialmente nas fases iniciais das campanhas eleitorais, entre os principais objetivos das pesquisas de intenção de voto está a formação da opinião pública. De fato, em certo sentido, as pesquisas de intenção de voto (aquelas que chegam ao conhecimento da sociedade) cumprem um papel publicitário relevante e, entre outras finalidades, servem para mobilizar a militância, dar um ‘empurrãozinho’ nos indecisos e animar a comunidade financiadora e os chamados grandes eleitores.
Não foi sem razão que, até ser substituído por Flávio Bolsonaro, mesmo estando inelegível, o nome do velho Jair foi mantido nas listas das consultas aos eleitores com o propósito de demarcar o espaço reservado à extrema-direita. Também não foi sem razão que, nas pesquisas iniciais, surpreendendo a muitos, o nome de Flávio Bolsonaro apresentou um crescimento espetacular, chegando a ultrapassar o nome de Lula em algumas delas.
Aliás, como sabem que a ‘verdadeira pesquisa’ é o resultado concreto da eleição, os institutos especializados passam a ‘melhor orientar’ seu trabalho à medida em que a campanha avança, num processo que culmina com a chamada pesquisa de boca-de-urna, a qual procura antecipar o resultado da eleição com a maior precisão possível (mesmo assim, quando está sob contrato específico – como foi o caso do Instituto Paraná de Pesquisas, que foi contratado pela candidatura de Jair Bolsonaro para embasar a campanha de descrédito das urnas eletrônicas – os Institutos podem manter seus métodos e furar até nas pesquisas de boca-de-urna).
O caso Flávio Bolsonaro é emblemático. Segundo os Institutos de Pesquisa – mesmo sem ter apresentado qualquer proposta concreta para problemas do país e da população, como se representasse uma prova de amor ao sobrenome Bolsonaro, a rejeição ao nome de Lula ou adesão à extrema-direita – o nome de Flávio Bolsonaro passou a crescer rapidamente, em processo que ameaçaria o favoritismo do presidente da república. Naturalmente, considerando sua flacidez e ausência de conteúdo e de propostas, os cientistas políticos vinculados ao humanismo sempre disseram que a candidatura de Flávio Bolsonaro não resistiria à campanha eleitoral e terminaria por naufragar, obrigando os Institutos de Pesquisa a reconhecer as evidências e alterar os métodos de consulta que o favorecem (favorecem Flávio Bolsonaro).
Apesar disso, os Institutos controlados pelas elites resistem ao inevitável e, ainda, tentam manter a artificialidade.
Na 4ª feira passada, dia 15 de maio de 2026, por exemplo, com a admissão das suas relações promíscuas com o ‘banqueiro desonrado’ Daniel Vorcaro, a candidatura de Flávio Bolsonaro sofreu um golpe de morte, mas, mesmo assim, alguns institutos ainda insistem em mante-lo no jogo. Imagine que, como se quisesse tapar o sol com a peneira, no dia 16 de maio, fingindo desconhecer o probabilissimo impacto da revelação das imundas relações de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, o Instituto DataFolha divulgou pesquisa (realizada três dias antes) apontando seu empate técnico com Lula.
Uma maluquice total.
De qualquer forma, independentemente da vontade das elites e dos institutos por elas contratados para modular a opinião pública, a chantagem feita por Flávio Bolsonaro ao ‘banqueiro desonrado’ Daniel Vorcaro para extorsão de R$ 134 milhões com base na produção do filme ‘Pangaré superfaturado’ provocou um efeito desastroso na sua candidatura de Flávio Bolsonaro (segundo levantamentos internos das principais campanhas, aquilo apresentado como ‘empate técnico’ pelo DataFolha passou a ser uma diferença pro Lula de sete pontos percentuais).
Na realidade, sem propostas, representando um governo que nada fez pelo País e com a forte imagem de mentiroso, chantagista, desonesto, entreguista e vira-lata, Flávio Bolsonaro tende a manter apenas o voto daqueles que dedicam momentos de oração para louvar pneus, bebem detergente Ypê, acreditam na geografia da Terra plana, repudiam sandálias Havaianas, pensam que Israel é um país cristão, fazem arminha, deixam de comprar comida para fazer pix para o Capetão, evitam vacinas para não virar jacarés e as substituem por cloroquina, tremulam a bandeira estadunidense em encontros patrióticos e outros malucos – um contingente que não ultrapassa 22% do eleitorado, insinuando que a eleição presidencial vai ser definida ainda no primeiro turno.
Vamos ver aquilo que vem por aí. Será que Flávio Bolsonaro vai conseguir manter a ilusão da sua turma?
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