Domingo, dia 05 de julho de 2026
É através da análise conjunta do pensamento, palavras e obras das pessoas que se pode verdadeiramente conhecê-las.
A análise precisa ser conjunta porque, além dos casos de má fé, existem os inconstantes e os porra-loucas: uns pensam uma coisa e fazem outra; outros falam uma coisa e fazem outra; outros pensam, falam e fazem coisas conforme lhes dá na telha (é famoso o caso de FHC, que, até chegar na presidência do País, se portava como um intelectual de centro-esquerda e mudou completamente ao chegar ao Planalto, proferindo a célebre frase “esqueçam tudo o que escrevi”).
Talvez por isto, o modo de ser das organizações, inclusive os partidos políticos, é definido em lei e os obriga a ‘pensar-falar-agir’ conforme prometem aos eleitores.
Nesta perspectiva, a Lei 9.096/93 define algumas regras para o ‘pensar-falar-agir’ dos partidos políticos. Em seu Art. 2º, depois de assegurar a livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, a Lei determina que seus programas “respeitem a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana”.
Pois bem.
Já no artigo 1º do documento que formalizou sua mais recente alteração estatutária, registrada no Tribunal Superior Eleitoral em novembro de 2025, o Partido Liberal (PL) reafirma respeito à soberania nacional e ao regime democrático, conforme determina a Lei 9.096.
Acontece que, como se observou no movimento golpista de 2022 e se observa nas promessas e ofertas feitas ao governo dos Estados Unidos pelo seu candidato presidencial, o comportamento do partido está em desacordo com aquilo que preceitua a Lei – a qual não pode, naturalmente, ser apenas uma peça figurativa ‘para inglês ver’.
Assim, para fazer valer o espírito da lei como deve acontecer nos regimes democráticos, não basta levar os golpistas de 2022 às barras dos tribunais e à cadeia e levar o seu candidato presidencial Flávio Bolsonaro à responder processo por crime lesa-pátria, é preciso cassar o registro do Partido Liberal.
Política é coisa séria e o eleitor não pode ficar sujeito a estelionatos ideológicos ou a fraudes conceituais de espertalhões mal intencionados.
Leia mais em www.alexandresanttos.com.br
A reprodução é permitida e desejável, especialmente se a fonte for citada
