5ª feira, 20 de agosto de 2026
Certa ocasião, cunhando uma expressão que ganhou vida própria, Mao Tsé-Tung se referiu aos Estados Unidos como um ‘Tigre de papel’. Antes de qualquer outro comentário, para não fugir da realidade, vale ressalvar que, embora aparente muito mais poder do que de fato tem, os Estados Unidos são uma potência viva e capaz de fazer muito mal aos outros.
De qualquer forma, em certo sentido, Mao Tsé-Tung tinha (e tem) razão.
Aliás, ontem veio à tona que a dívida pública dos Estados Unidos alcançou a estonteante cifra de US$ 40 trilhões, o que, na prática, significa a emissão de 40 mil bilhões de dólares sem qualquer lastro. A um observador mais atento fique claro o porquê da ‘facilidade’ como a Casa Branca age.
Veja, por exemplo, a invasão da Venezuela: para roubar o petróleo e o ouro da Venezuela (para dar um pouco de lastro à dinheirama emitida sem fundos), a Casa Branca mobilizou forças armadas financiadas pela emissão sem lastro de dólares.
E faz assim com qualquer coisa (os Estados Unidos podem fazer qualquer coisa que o dinheiro possa comprar).
Outro dia, pensando nos desdobramentos da guerra contra o Irã, o governo estadunidense anunciou que destinara US$ 1,5 trilhões para o Pentágono. Foi 1,5 trilhões, mas poderia ter sido 2, 3, 4 ou 5 trilhões, para quem emite dinheiro sem fundos, o céu é o limite.
Naturalmente, como esta emissão sem fundo depende da correspondente emissão de títulos do tesouro, vai chegar uma hora na qual alguém gritará ‘o Rei está nu’ e o castelo de cartas de sustentação do Tigre de papel desabará.
Como o poder dos Estados Unidos depende dos contínuos déficits orçamentários, comerciais e fiscais superados pela emissão sem lastro do Dólar, seu maior inimigo não é o Irã, Cuba ou China. Hoje, o maior inimigo dos Estados Unidos é a desdolarização do comércio internacional.
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