4ª feira, 21 de outubro de 2026
Já há tempos, a mentira vem sendo usada como instrumento regular de trabalho pela extrema-direita, em comportamento manualizado pelo guru Steve Bannon – principal referência do sistema de comunicação de massa baseado na disseminação de fakenews.
Aliás, em notáveis episódios de sinceridade, falando do púlpito da Câmara dos Deputados, ao manifestar posição contrária à aprovação do PL nº 2630/2020, mais conhecido como o PL das Fake News – proposta para instituir uma Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet (e que, na prática, obrigaria as redes sociais e aplicativos de mensagens a combater a desinformação, aumentar a transparência e responsabilizar plataformas digitais, dificultando a disseminação de mentiras) -, em nome da liberdade de expressão, algumas das principais lideranças da extrema-direita defenderam a ‘Liberdade de mentir’.
Ficou famoso o discurso do então deputado federal Eduardo Bolsonaro, no qual, com todas as letras, afirmou que ‘se não pudesse mentir, não conseguiria se reeleger.
Pois bem.
Graças às manobras da bancada bolsonarista, apesar de estar pronto para ser votado em regime de urgência, o PL das Fakenews foi esquecido e hoje dormita esquecido n’alguma gaveta do Congresso.
O tempo passou e, sem freios, aplicando o receituário de Steve Bannon reforçado com os aperfeiçoamentos desenvolvidos desde aquela época (este seguimento é pródigo em novidades e inovações), as bancadas da extrema-direita cresceram (o que reduz, ainda mais, as chances de aprovação do PL 2630/2020) e, agora, numa espécie de consagração do método, sonham com a possibilidade de eleição de Flávio Bolsonaro para a presidência da república.
Por sinal, fiel discípulo do ideário liderado por Donald Trump, Flávio Bolsonaro se alinha entre os principais adeptos do uso irrestrito da mentira.
Com efeito, no debate ocorrido em 15 de outubro na TV Bandeirantes, das 315 afirmações feitas por Flávio Bolsonaro, as agências de checagem de informações atestaram que 110 delas eram falsas ou ‘distorcidas da realidade’.
Não é sem razão, portanto, que, conscientes daquilo que está em jogo, professores, alunos e ex-alunos da Escola de Comunicações e Artes da USP lançaram uma carta aberta cobrando checagem de fatos em tempo real no debate que a TV Globo vai promover entre Lula e Flávio Bolsonaro na próxima 6ª feira, antevéspera do segundo turno das eleições, marcado para o dia 25 de outubro.
Conhecendo as suas próprias manias, limitações e costumes, Flávio Bolsonaro já avisou que, se a TV Globo adotar o sistema de checagem de fatos em tempo real, não vai ao debate.
Ele tem boas razões para isto.
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