Embora o recente episódio da sobretaxa aplicada por Donald Trump às exportações brasileiras para os Estados Unidos (válida a partir de 01/08/2025) seja a sua movimentação mais presente na memória dos brasileiros, o amor de Eduardo Bolsonaro pelo Tio Sam é antigo e sempre causou sérios problemas para o País.
Em 2018, por exemplo, ainda na campanha que levou o velho Jair à presidência da república, demonstrando nenhum respeito à diplomacia ensinada pelo Barão do Rio Branco e em claro aceno a Casa Branca, ao tempo que vociferava ameaças ao governo de Nicolas Maduro, falando abertamente na possibilidade de invasão do território da Venezuela, o ZeroTrês Eduardo anunciou a intenção de ceder definitivamente Alcântara [aos norte-americanos] e, ainda, autorizar a instalação de bases militares norte-americanas em território nacional.
Jair Bolsonaro se elegeu, assumiu a presidência e, para desencanto do ZeroTrês Eduardo, não conseguiu decretar guerra contra o desafeto dos Estados Unidos ou ceder-lhe [ceder aos Estados Unidos] partes do território nacional para a instalação de bases militares.
Mesmo assim, os sonhos norte-americanófilos do ZeroTrês Eduardo não arrefeceram e um ano mais tarde voltou à carga.
Desta vez, queria ser designado embaixador do Brasil junto a Washington.
Um absurdo!
Insistiu, insistiu e, diante da ponderação de senadores mais equilibrados (os quais, à boca miúda, se referiam a sua hipotética indicação para cargo com uma ‘humilhação para o Itamaraty’ e ‘um caso inadmissível de nepotismo’), retrucou que, embora a Lei 11.440/2006 defina critérios para a escolha de chefes de missões diplomáticas (os embaixadores devem ser ministros de primeira classe ou de segunda classe do Ministério das Relações Exteriores), dava margem para, em caráter excepcional, fossem escolhidos pessoas alheias a carreira diplomática, ‘desde que brasileiras natas, maiores de 35 anos, de reconhecido mérito e relevantes serviços prestados ao país’.
Não era o caso, mas, mesmo que houvesse um ‘caráter excepcional’, por que indicar Eduardo Bolsonaro para o cargo? Ele mesmo respondeu: “Sou brasileiro nato, tenho mais de 35 anos, já prestei serviços ao Brasil e estou preparado para ser embaixador nos Estados Unidos, um país onde já morei e trabalhei, ralando muito, inclusive como chapeiro em lanchonetes”.
Pois é.
Quis Deus que o Brasil não pagasse o mico de ter um chapeiro entreguista como chefe da missão diplomática mais importante do Itamaraty.
De qualquer forma, como no mundo de Deus tudo é possível, embora não oriente a política externa do Brasil em relação aos Estados Unidos, ao que parece, este chapeiro entreguista vem orientando a política externa dos Estados Unidos para o Brasil.
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