Hoje, me proclamo agnóstico – acredito firmemente em Deus, mas não professo qualquer religião.
Aliás, como acredito na onipotência, onisciência e onipresença Dele, não entendo o porquê da excessiva dependência das pessoas em relação a religiões, igrejas e, muito menos, a sacerdotes (homens que, na maioria dos casos, nada têm de especial).
Das minhas antigas leituras, compreendi que, em geral, junto com dogmas, as religiões seguem e recomendam princípios filosóficos capazes de aproximar as pessoas do Deus entronado.
Assim, de uma forma ou de outra, valores com Bondade, Piedade, Honestidade, Serenidade, Solidariedade, Caridade, Compaixão e outros [valores] considerados ‘positivos’ passaram a representar ideais religiosos, em contraposição a valores como Maldade, Egoísmo, Leviandade, Desonestidade e outros considerados ‘negativos’.
Acontece que os tempos passaram. Os padrões de comportamento mudaram, as formas de comunicação ganharam novos formatos, as formas de relacionamento se alteraram para compor uma nova realidade social e justificar ajustes com diferentes graus de evolução (ou involução, conforme o ponto de vista).
Como resultado deste ‘passar dos tempos’ parece ter havido um afrouxamento das expectativas das pessoas em relação a Deus, [em relação] às religiões que dizem interpreta-lo e [em relação] àqueles que dizem representá-lo.
Daí a atual profusão de igrejas e de sacerdotes.
Na realidade, desde que tenha cara-de-pau e alguma verborreia, qualquer um pode montar uma igreja e assumir a condição de sacerdote para dispor um púlpito a partir do qual pode arrebanhar fiéis dispostos a contribuir com os dízimos necessários para constituir um rentável ganha-pão.
Será que alguma vez na vida, esta infinidade de pastores pilhados em pecados – como estupros, estelionatos, extorsões, calúnias, difamações, etc. – teve vocação religiosa ou recebeu inspiração divina para falar em nome Dele.
Na realidade, seguindo aquilo que ocorre em outros ambientes (como a política e a comunicação social), sacerdotes-bandidos se aproveitam da inocência e boa fé das pessoas para formar exércitos, dos quais, não só retiram o sustendo, mas também [retira] a força que diz representar em benefício próprio.
O mais interessante disto tudo é que, embora a Constituição defina o Brasil como ‘um Estado Laico’, sacerdotes de todos os credos querem usar a sua força [a força do Estado] e, neste embalo, ao longo dos tempos, conseguiram um conjunto enorme de facilidades – as igrejas gozam de benefícios fiscais, principalmente a imunidade tributária sobre patrimônio, renda e serviços relacionados às suas atividades essenciais (não pagam IPTU, Imposto de Renda, Cofins, ITCMD e IPVA).
Eu me pergunto: se, de um lado, – como Deus está em todos os lugares, sabe de tudo e pode tudo – as pessoas não precisam estar ligadas a uma religião ou estar subordinadas a um sacerdote e, de outro [lado], o Estado garante uma série de facilidades para as igrejas, por que, ao invés de frequentar o culto de outros, as pessoas não abrem as suas próprias igrejas?
Esta atitude não vai melhorar a relação das pessoas com Deus, mas, do ponto de vista material, pode representar um grande negócio.
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