Depois de insinuar uma intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil (o que, até para os padrões do Tio Sam, ultrapassaria o qualquer limite do senso aceitável), o ZeroTrês Eduardo Bolsonaro deve ter recebido orientação de alguém mais experiente e redirecionou o discurso.
De fato, ontem, usando os canais de sempre, Eduardo Bolsonaro voltou a falar da ‘ditadura que cerceia a liberdade no Brasil’, da ‘perseguição movida por Alexandre de Moraes contra os democratas brasileiros’, da ‘situação vivida pelos exilados brasileiros no exterior’ e coisas assim e, para concluir a dose diária de veneno, disse que, se Jair Bolsonaro for impedido de disputar o pleito presidencial do próximo ano, a Casa Branca não reconhecerá o resultado das eleições.
Pois bem.
Respeitadas as diferenças linguísticas e os nomes dos personagens envolvidos, sem tirar nem por, o comportamento conduzido por Eduardo Bolsonaro (e que já vinha sendo adotado por gente como Allan dos Santos, Monarch e Paulo Figueiredo) reproduz fielmente o processo de desgaste que minou a imagem do governo bolivariano da Venezuela até a situação vivida hoje – quando pouco importando a realidade dos fatos, a maioria esmagadora das pessoas (incluindo Lula) classifica Nicolas Maduro como ‘ditador’ ou coisa parecida.
Provavelmente, algum Lulista vai evocar um velho chavão para dizer “mas é diferente”.
Não há qualquer diferença entre os dois casos. Ambos são frutos de uma vasta campanha política e midiática levada adiante pelo governo dos Estados Unidos com a cumplicidade de traidores nacionais.
Talvez seja hora de o governo brasileiro reconhecer a injustiça cometida contra o presidente Nicolas Maduro, aceitar o ingresso da Venezuela nos BRICS e se preparar para enfrentar externamente a campanha de venezuelização da sua imagem.
Vem chumbo grosso por aí.
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