“In Fux We Trust”. Deltan Dallagnol disse a Sérgio Moro – após a conversa em Brasília, ainda em 2016, na qual, por razões nunca esclarecidas totalmente (o beneplácito de Donald Trump acende algumas suspeitas levantadas na época) – que o ministro Luiz Fux estava completamente alinhado com os propósitos da LavaJato. “Ele é um de nós” comemorava Deltan Dallagnol.
Nos dias correntes, passada quase uma década desde aquela revelação inicial, uma série de pequenos (e graves) acontecimentos justificam o “In Fux We Trust”.
De fato, para quem não lembra, em 09 de junho de 2025, quando preparava a oitiva do chamado núcleo crucial do Oito de Janeiro (Jair Bolsonaro, Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira e Braga Netto), o ministro-relator Alexandre de Moraes foi surpreendido com a chegada às pressas do ministro Luiz Fux, que brindou os golpistas com perguntas consideradas simpáticas.
Neste último mês e meio, muita coisa aconteceu, incluindo a intervenção direta dos Estados Unidos no julgamento dos golpistas pela apresentação de chantagem com duras penalidades caso o processo judicial não fosse interrompido ‘imediatamente’.
A chantagem norte-americana não surtiu o efeito desejado – Lula mobilizou o País em bem sucedida campanha pela soberania nacional, o procurador-geral Paulo Gonet pediu a condenação dos golpistas e, considerando a clara ‘tentativa de obstrução da justiça’ e a possibilidade de fuga, o ministro-relator Alexandre de Moraes determinou o acompanhamento de Jair Bolsonaro através de tornozeleira eletrônica.
A Casa Branca se sentiu afrontada pela altivez das autoridades brasileiras e, como retaliação e aviso aos recalcitrantes, determinou sanções ao procurador-geral e aos ministros do Supremo Tribunal Federal (TSF), poupando aqueles nos quais confia (Kássio Nunes Marques e André Mendonça, que foram indicados por Jair Bolsonaro, e, confirmando as suspeitas de anos atras, Luiz Fuz).
Não foi sem razão, portanto, que, ontem, abrindo a divergência que quebrou a unidade da primeira turma do STF, Luiz Fux proferiu o único voto contrário às medidas cautelares impostas pelo ministro-relator Alexandre de Moraes ao golpista Jair Bolsonaro, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
O voto de Luiz Fux (que chegou ao STF pelas mãos de Dilma Rousseff em 2011) não alterou o resultado do julgamento, mas deixou claro o porque da frase “In Fux We Trust”.
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