Ontem, dando um claro indicador de que ouviu vozes lúcidas e experientes, o presidente Hugo Motta chamou o feito à ordem e, em dura reunião da direção da Câmara dos Deputados, decidiu punir os 14 deputados-baderneiros que, nos dias 05 e 06 de agosto, simultaneamente com ação similar no Senado Federal, tomaram e ocuparam a mesa diretora da casa, impedindo a retomada dos seus trabalhos no início deste segundo semestre parlamentar.
Embora considerada muito branda pelos punição pelos democratas mais exigentes, a punição proposta por Hugo Motta à Corregedoria Parlamentar (afastamento por até seis meses) representa um rude golpe no bolsonarismo instalado na Câmara dos Deputados, não só porque atinge seus principais líderes colocando um freio nos seus propósitos, mas, também porque chegou exatamente no dia no qual o encarregado de negócios dos Estados Unidos no Brasil recebeu uma reprimenda do Itamaraty em função da nota divulgada pela embaixada norte-americana fazendo ameaças ao ministro Alexandre de Moraes e a àqueles que enfrentam o bolsonarismo golpista no País.
Segundo a presidência da Câmara dos Deputados, ‘a Mesa Diretora da Câmara se reuniu para tratar das condutas praticadas por diversos deputados federais nos dias 5 e 6 e decidiu pelo imediato encaminhamento de todas as denúncias à Corregedoria Parlamentar para análise”, propondo o afastamento por até seis meses dos deputados baderneiros Nikolas Ferreira, Sóstenes Cavalcante, Marcos Pollon, Zé Trovão, Júlia Zanatta, Marcel van Hattem, Paulo Bilynskyj, Zucco, Allan Garcês, Caroline de Toni, Marco Feliciano, Bia Kicis, Domingos Sávio, Carlos Jordy e, ainda, da deputada Camila Jara (acusada de ter agredido um baderneiro).
Mesmo que a corregedoria não leve a solicitação da mesa dirigente da Câmara dos Deputados às ultimas consequências, a atitude do presidente Hugo Motta deixou claro o reconhecimento pelas autoridades parlamentares da necessidade de se barrar o golpe continuado proposto pela extrema-direita no Brasil.
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