Nas hostes mal-intencionadas da banda Direita do espectro político, a Liberdade de Expressão – um direito constitucional que assegura a livre manifestação do pensamento e garante o exercício da atividade intelectual, artística e científica livre de qualquer censura – é usada como uma autorização para mentir sobre as coisas e sobre as pessoas, para caluniar e difamar as coisas e as pessoas, enfim para usar a palavra com o objetivo de induzir as pessoas a erro pela criação de um mundo artificial baseado em fundamentos que não correspondem a realidade.
Mas, há uma nítida diferença entre aquilo que é opinião e aquilo que é uma afirmativa – as pessoas podem dizer ‘Malu Gaspar é feia e tem a cara troncha’ porque isto é uma ‘opinião’ (cujo exercício é garantido na Constituição), mas não podem dizer ‘Malu Gaspar ficou com a cara troncha por conta de uma suruba com sádicos’ porque isto é uma ‘afirmativa’ e requer provas para se enquadrar na liberdade de expressão.
Mesmo assim – como a liberdade de expressão é um dos fundamentos da Democracia -, os mal-intencionados mentem, caluniam e difamam em seu nome, usando a mentira como instrumento regular de trabalho e de ação política.
Pois bem.
Especialmente nos últimos meses, em campanha azeitada pelo farto dinheiro despejado pelo trambiqueiro Daniel Vorcaro com o propósito de salvar alguma coisa dos escombros do império erguido a partir do Banco Master, com o suporte na mídia alternativa através do engajamento mercenário de ‘influencers’ de todas as categorias e usando plataformas respeitáveis (mas, de credibilidade questionável) no universo nacional das comunicações, jornalistas de algum renome emprestaram sua participação em processos cujo objetivo concorre para interesses espúrios, como, por exemplo, lançar uma cortina de dúvidas sobre a honorabilidade das decisões do Banco Central que levaram à liquidação do Banco Master e [sobre] a seriedade do Supremo Tribunal Federal (STF).
Com efeito, há pouco mais de um mês, lançando mão de informes falsos, a jornalista Malu Gaspar disseminou fakenews com objetivo de minar a reputação do ministro Alexandre de Moraes. Agora vem a público a informação de que, por encomenda de gente que as investigações vão dizer direitinho que são, arapongas vinculados à ‘ABIN paralela’ (aparato ilegal de espionagem criado pela turma do Bolsonaro) invadiram o sistema da Secretaria da Receita Federal para colher e vazar informações sigilosas de autoridades empenhadas nas investigações, incluindo ministros do STF (e seus familiares).
Neste ponto, emergem as figuras de jornalistas profissionalmente engajados na campanha que, de forma seletiva e com ‘reinterpretações’ de veracidade questionável, tracionam a campanha de difamação e de fragilização das autoridades e dos órgãos estratégicos para a defesa da Democracia no Brasil.
Aliás, não ocorreram sem razão o 1) envolvimento de Ricardo Manzano de Moraes, bolsonarista auditor do Serpro que atualmente cumpre medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica e retenção de passaporte, 2) a entrada da jornalista Malu Gaspar no radar da Polícia Federal (PF) e 3) o pronunciamento do bolsonarista Kleber Cabral, presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), que, estimulando a prática do crime, condenou as investigações levadas adiante pela PF para apurar a disseminação de fake news.
É hora de todos saberem o real significado da liberdade de expressão.
Talvez seja hora de a sociedade voltar a discutir a necessidade de a profissão de Jornalista ser regulamentada (como são as demais profissões) ou, como sugere o jornalista Luiz Nassif, os órgãos da imprensa adotarem um código de ética que lhes dê responsabilidade sobre a forma com obtêm e disseminam as informações.
Não é certo que a sociedade fique refém de gente que usa a mentiras e as meias-verdades para atender as vontades e os interesses de criminosos e de espertalhões.
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