Basicamente, um ator é o artista que interpreta personagens, despertando emoções no público.
Não necessariamente o personagem interpretado pelo ator tem as suas próprias características. Na realidade, uma das marcas dos bons atores é a capacidade de interpretar personagens marcados por características muito distintas das suas próprias. É o caso do ator que, pessoalmente, é um sujeito bom-caráter, bem-humorado, amoroso e gente-boa e que, no exercício da arte dramática, interpreta vilões, bandidos, assassinos, estupradores – como, por exemplo, o ator Jim Caviezel (que, segundo dizem, pessoalmente é um cara-legal) que, no filme ‘Pangaré superfaturado’ interpretou Jair Bolsonaro (que é quem sabemos que é).
Assim como acontece com os outros artistas, o mundo dos atores é regido pela ficção, pois, ao interpretar as cenas, [o ator] não vive a sua própria realidade. Não é sem razão, portanto, que, com frequência, os mentirosos são ditos como ‘verdadeiros artistas’.
É nessa perspectiva que, em certos círculos, considerando a naturalidade como interpreta uma pessoa séria e honesta, o senador Flávio Bolsonaro – que, segundo registros ainda não tornados públicos, é desonesto, praticante de rachadinha, metido com milicianos, lavador de dinheiro, corrupto e chantagista – vem sendo considerado ‘um grande artista’.
Esta condição foi mais exposta ao grande público na 4ª feira, 13 de maio de 2026, quando, minutos após ter demonstrado fúria e indignação para negar qualquer conhecimento com o ‘banqueiro desonrado’ Daniel Vorcaro, com outra expressão facial e postura humilde de bom samaritano conforme o mandava o script, evocou a condição de filho preocupado com a memória do pai para revelar uma amizade incestuosa com ele [o bandido que negara conhecer a instantes].
Flávio Bolsonaro seria um bom candidato se pleiteasse vaga no cast de filme ou peça teatral. Acontece que ele é candidato a presidência da república, um cargo que, entre outros valores, exige confiabilidade.
Talvez esta seja a razão do resultado apontado nos recentíssimos resultados das pesquisas de intenção de voto – como Flávio Bolsonaro deixou de inspirar confiança nos brasileiros, perdeu a condição de sequer se manter na disputa.
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