Em 1º de maio de 2026, falando com o pescoço torto e o beicinho já conhecido das pessoas, irritado porque o chanceler alemão Friedrich Merz disse que ‘os iranianos estão humilhando os Estados Unidos’, Donald Trump decidiu retirar 5.000 soldados estadunidenses baseados na Alemanha.
O anúncio feito pelo Pentágono chama atenção para a presença mundial das forças armadas do império estadunidense, que mantém tropas por toda a parte – são 750 bases militares com 220 mil homens armados até os dentes em mais de 80 países, incluindo Japão, Coreia do Sul, países da Europa, da África, do Oriente Médio, do Caribe, da América do Sul e até Cuba, além da presença no mar com quase 300 navios de guerra, incluindo 11 porta-aviões em movimento pelo Atlântico Norte, Pacífico Oriental, Pacífico Leste e Norte, Pacífico Ocidental e Índico, mares da América Central e do Sul, Mar do Caribe e águas ao redor da América Latina, Oriente Médio, Europa e África e, ainda, a chamada Frota Funcional, que faz a guerra cibernética, inteligência e operações no espaço digital -, um situação que, em parte, explica a arrogância da Casa Branca, [explica] os US$ 1,5 trilhões solicitados por Trump para manter a sua máquina de guerra e [explica] o fato de os Estados Unidos estarem sempre fazendo e procurando confusão contra alguém.
Afinal de contas, Tio Sam precisa gastar muito dinheiro e beber muito sangue para ter o que fazer.
Os Estados Unidos aproveitaram a II Guerra Mundial para cravar as suas patas mundo afora e, sob a alegação de ‘garantir proteção’ (como fazem os mafiosos e milicianos) e, mediante o eventual pagamento de compensações financeiras, deixaram a ambição imperial e a combinação da permissividade concedida pela liberdade de emitir dólares sem controle com a frouxura dos governos estrangeiros fazerem o resto, espalhando pedaços dos Estados Unidos por toda a parte.
Naturalmente, como em tudo que fazem, os Estados Unidos mentem quando prometem ‘proteção’ (o abandono da OTAN no caso da Ucrânia deixou isto muito claro) e cometem fraude quando baseiam as compensações na transferência de dólares (moeda sem lastro impressa aos borbotões nas tipografias de Fort Knox).
Aliás, embora finjam não saber, os líderes locais sabem muito bem que, além de a injeção financeira dada por eventuais ‘aluguéis’ e pelas despesas pessoais feitas pelos soldados ser pouco representativa, antes de ‘proteção’ a presença das tropas estadunidenses representam ‘ameaça’ (uma ‘ameaça’, vale dizer, menor do que o medo da China, da Rússia e dos ‘comunistas’ impostos aos países ocupados pela propaganda controlada pela Casa Branca).
De qualquer forma, o livre transcorrer do governo de Donald Trump vem desmistificando muita coisa, inclusive o poder do Tio Sam e o caráter universal do Dólar, levando a que, mesmo sem produzir qualquer som, progressivamente ecoe um grito de YANKEES GO HOME por toda parte.
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