6ª feira, 05 de junho de 2026
Dizem que o povo brasileiro é o mais criativo do Planeta. Deve ser mesmo. Os brasileiros subvertem qualquer coisa. Que o digam aqueles que tentam comer pizza de carne de sol, rodízio de sushi ou Yakisoba de acarajé em restaurantes na Itália, no Japão ou na China.
Imagine que, nos últimos anos, chegaram a inventar uma tal ‘Marcha para Jesus’ – uma manifestação que, embora se apresente como passeata religiosa, foge do antigo modelo seguido pelas procissões e adota formato que mistura a dinâmica dos blocos de carnaval, dos shows sertanejos e dos comícios políticos, tendo como bandeira do nome-símbolo do cristianismo.
No fundo – violando os preceitos do segundo mandamento das Leis trazidas nas tábuas entregues a Moisés pelo próprio Deus (‘Não tomar Seu santo nome em vão’, diz o mandamento) e, portanto, sendo ela própria uma expressão de heresia e pecado -, a tal Marcha para Jesus é um comício ambulante organizado pela extrema-direita brasileira para se aproveitar da inocência do pueril rebanho evangélico (similar a turba obediente aos sacerdotes do sinédrio que julgaram e condenaram Jesus) para esbravejar ideias ne sempre condizentes com o cristianismo.
Aliás, ao comparar o palanque da tal ‘Marcha para Jesus’ – onde se destacam as presenças fedorentas de Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Ricardo Nunes, Ronaldo Caiado, Estevam Hernandes, Sila Malafaia, Guilherme Derrite, Marco Feliciano, Gilberto Kassab e tantos outros meliantes – com a Grande Ceia presidida pessoalmente por Jesus – um encontro, que, tirando a presença de Judas (o qual, com todos os méritos, poderia estar no palanque da ‘Marcha para Jesus’), só reuniu homens santos como Pedro, André, Tiago, João, Filipe, Bartolomeu, Tomé, Mateus, Tiago, Tadeu e Simão – qualquer pessoa medianamente inteligente vai perceber que ‘aquilo não pode ser uma coisa séria’.
Mas, como religião é religião e cada um segue o Jesus que quer, a tal ‘Marcha para Jesus’ está aí para quem quiser, inclusive para aqueles que querem ser feito de tolos pelos espertalhões da fé.
Leia mais em www.alexandresanttos.com.br
A reprodução é permitida e desejável, preferencialmente se a fonte for citada.
