Domingo, 02 de agosto de 2026
Tic-tac.
O reduzido nível da areia que escorre sem parar pelo funil da ampulheta eleitoral indica a aproximação do dead-line para registro das candidaturas no TSE.
Desde sempre, sabe-se que o vice na chapa liderada por Lula é Gerado Alckmin e, a essa altura, todos os outros presidenciáveis têm o seu vice.
Todos, não. Flávio Bolsonaro não tem.
Na realidade – por ser marcado, não só por uma passado nebuloso (a cada dia surgem novos casos de corrupção, misoginia, xenofobia e tudo mais), mas, também, por ter revelado nenhuma solidariedade aos parceiros desmascarados (ficou famoso o abandono que deu ao senador-picareta e ex-ministro Ciro Nogueira quando veio à tona o envolvimento dele com Daniel Vorcaro, uma situação na qual veio ele próprio veio a cair dias mais tarde) -, Flávio Bolsonaro vem se revelando um candidato tóxico e todos lhe querem distância.
Não ocorre sem razão, portanto, a solidão que Flávio enfrenta nos dias correntes.
Aliás, por não conseguir firmar qualquer coligação partidária, Flávio Bolsonaro foi forçado a abandonar o sonho de ter personalidades como Tereza Cristina, do Partido Progressista, Renata Abreu, do Podemos, e Pedro Lupion, do Republicanos, como candidato a vice-presidente na sua chapa e, por absoluta falta de alternativas, vai precisar recorrer ao formato sangue-puro – chapa formada exclusivamente por filiados do Partido Liberal (PL), naquilo que se chama de ‘sanduíche de pão com pão’, o qual, além de nada acrescentar em termos de votos ou de tempo na propaganda eleitoral, confirma a estreiteza da sua candidatura.
Flávio Bolsonaro é desagregador, está só e, se conseguir manter a candidatura, terá trabalho para convencer a banda direita do espectro político brasileiro de que seria o melhor nome para disputar (e perder) um eventual segundo turno contra Lula.
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