3ª feira, 11 de agosto de 2026
Embora algumas frases possam ser brilhantes, outras irrelevantes e outras infelizes, algumas frases são absolutamente desastrosas.
Neste último caso se enquadra a ‘Se os Estados Unidos invadirem o Brasil, a gente terá que abrir o portão” proferida pelo ministro da Defesa José Múcio Monteiro na 3ª feira, dia 04 de agosto, no discurso de abertura de evento organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) para discutir a descarbonização do setor marítimo.
Naturalmente, a pataquada não surgiu do nada, como se fosse um convite aos marines que rondam o Brasil.
Na realidade, o ministro disse a besteira no curso de uma mal formulação mal engendrada para defender a ampliação dos investimentos na Defesa do País, os quais representam apenas 1% do Produto Interno Bruto (PIB) – volume de recursos claramente insuficiente para garantir o planejamento de longo prazo, a modernização tecnológica e a aquisição dos equipamentos necessários às Forças Armadas.
Segundo o próprio ministro, ele não defende o aumento das verbas militares como preparação para a guerra, mas, sim, para a criação de capacidade de dissuasão.
Menos mal.
Está explicada a intenção do ministro José Múcio.
Mas, será que, para justificar a necessidade de investimentos na defesa do País, ele precisaria falar daquela forma?
Imagine o impacto psicológico provocado pela instalação de um consultório médico ao lado de um cemitério ou agência funerária com o propósito de estimular pacientes a prosseguir tratamentos médicos.
O ministro Zé Múcio pisou na bola e, de alguma forma, acolheu o discurso entreguista de Flávio Bolsonaro.
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