Domingo, 16 de agosto de 2026
Em função da irresponsabilidade política de Jair Bolsonaro, há uma ‘bancada bolsonarista’ no Supremo Tribunal Federal (STF).
De fato, dos dez ministros em atividade (há uma vaga não preenchida), dois [ministros] são bolsonaristas – Kássio Nunes Marques e André Mendonça (embora bata-fofo de vez em quando, Luís Fux não pode ser considerado um bolsonarista autêntico) -, cuja condição ‘bolsonarista’ não foi adquirida apenas por dever de gratidão com Jair Bolsonaro que os indicou, mas ao comportamento permanentemente alinhado com os valores, desejos e interesses da extrema-direita).
Na realidade, bancada bolsonarista inclui duas ‘sub-bancadas’: a indicação do piauiense Kássio Nunes Marques deveu-se a um acordo de Jair Bolsonaro com o então ministro da Casa Civil Ciro Nogueira e a indicação do terrivelmente evangélico deveu-se a um pedido da então primeira-dama Michelle Bolsonaro.
A ação destes dois ministros nas posições-chave que ocupam no STF explica muitas coisas, como, por exemplo, o fato de ainda não ter havido operação no âmbito do Caso Master contra os senadores Ciro Nogueira (beneficiado pelo banqueiro Daniel Vorcaro com propina mensal de R$ 500 mil) e Flávio Bolsonaro (que confessou ter extorquido R$ 62 milhões do banqueiro sob a desculpa dada pelo Dark Horse) e [explica] o fato de até agora o TSE (que é presidido por Kássio Nunes Marques) não ter se pronunciado sobre o ilegal uso de DeepFake produzido por Inteligência Artificial com avatar do presidiário Jair Bolsonaro na convenção do Partido Liberal.
Na realidade, embora venha produzindo muitas aberrações jurídicas, a bancada bolsonarista corresponde a apenas 20% do STF (reproduzindo mais ou menos o percentual da presença bolsonarista na sociedade) e, de alguma forma, vem sendo ‘controlada’ pelos demais ministros.
Esta semana, por exemplo, a tendenciosa decisão monocrática do presidente Kássio Nunes Marques negando a retirada de propaganda de Flávio Bolsonaro que associava o PT com as facções criminosas PCC e CV foi reformada pelo pleno do TSE por 5×2 (o outro voto que seguiu Kássio Nunes Marques foi justamente de André Mendonça).
Apesar do seu grande potencial de perturbar a normalidade do dia dia do País, a bancada bolsonarista que age no STF tende a ser controlada pelo bom-senso da Corte.
No mais, é esperar para ver como a História vai se portar diante dela.
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