2ª feira, 07 de setembro de 2026
Hoje é Sete de Setembro. O Dia da Independência. O dia no qual, em 1822, Pedro de Alcântara, filho do Rei D. João VI, declarou a independência do Brasil em relação às cortes lideradas pelo próprio pai (o Brasil já era independente de Portugal desde 1815), pondo fim ao curtíssimo período de Reino e passando-o à condição de Império.
O Dia da Independência é dia de festa, para ser comemorado por todos os brasileiros e por todo o país, com desfiles cívicos, festivais artísticos, shows, girândolas, torneios esportivos, manifestações populares e tudo o mais.
Infelizmente, esta nunca foi a tradição e, nos termos do costume autoritário, as comemorações sempre foram limitadas às paradas militares com parca participação de estudantes, mais recentemente, ‘contrabalançadas’ pelo Grito dos excluídos.
De qualquer forma, apesar do ‘esquecimento’ ao qual foi submetido pelas elites (as quais sempre procuraram tratá-lo [tratar o Dia da Independência] como um feriado qualquer), o Sete de Setembro é um dia de orgulho patriota.
A memória recente, no entanto, mostra que, ainda nos preparativos do golpe de 2016, juntamente com outros símbolos nacionais, o Sete de Setembro foi praticamente sequestrado pela Direita, que chegou a tratá-lo como palco para manifestações antipatrióticas, como aconteceu em 2025, quando os bolsonaristas estenderam uma gigantesca bandeira dos Estados Unidos no festejos do Dia da Independência realizados na Avenida Paulista, em São Paulo.
De lá para cá, acompanhados por idiotas de todas as categorias, os bolsonaristas têm exacerbado o entreguismo, levando muitos a pensar que demonstrar patriotismo é demonstrar amor pelos Estados Unidos.
Ainda bem que a banda pensante da sociedade brasileira não pensa assim.
Nas comemorações deste ano, ao tempo que a turma de Flávio Bolsonaro faz juras de amor a Donald Trump, de sua parte, em pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão que bem representa o sentimento do povo brasileiro, o presidente Lula reafirmou a soberania do Brasil e disse não aceitar interferências externas em suas decisões políticas, econômicas e comerciais. “Não somos colônia e não seremos colônia de ninguém”, declarou o presidente, arrancando ondas de urticária nos bolsonaristas, especialmente ao acrescentar que “Nenhum governante estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar e para quem podemos vender”.
Ao que parece, o significado político do Dia da Independência está aquém da capacidade de compreensão da extrema-direita, para quem patriotismo se resume ao uso da camisa da seleção brasileira de futebol e ao repúdio de tudo que possa desagradar aos Estados Unidos.
Leia mais em www.alexandresanttos.com.br
A reprodução é permitida e desejável, preferencialmente se a fonte for citada
