Sábado, 05 de setembro de 2026
O mês de setembro (último antes das eleições de 04 de outubro) começou quente.
No dia primeiro, logo cedo, provavelmente cumprindo um script escrito em Washington, dando vazão ao instinto irascível que move a extrema-direita e pouco (ou nada) preocupado com as consequências dos seus atos, o ministro bolsonarista André Mendonça rompeu o clima de respeito mútuo prevalecente no Supremo Tribunal Federal (STF) e, tornando público o resultado de uma investigação ilegal feita por encomenda sua, pediu que o ministro Alexandre de Moraes fosse investigado ‘por ligações impróprias com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro’, dando, assim, a munição requerida pelos simpatizantes de Flávio Bolsonaro e desafetos de Lula para os próximos dias.
Pronto!
Cumprira a sua parte, ajudando a tirar o escalpo do careca odiado pelos golpistas e seus mentores.
O ministro bolsonarista não contava com a reação da parte por ele fustigada.
No mesmo dia, em parecer enviado ao STF, destacando as arbitrariedades e ilegalidades que embasaram a iniciativa do ministro bolsonarista André Mendonça, o Procurador-Geral da República Paulo Gonet considerou nulo o pedido de para investigar o ministro Alexandre de Moraes.
Dois dias mais tarde, veio a rebordosa do ministro Alexandre de Moraes, que, citando ‘suspeitas de abuso de autoridade’, ‘quebra de imparcialidade’ e ‘direcionamento de investigações no STF’ na na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero, abriu uma investigação contra André Mendonça no âmbito do inquérito das Fakenews.
Para completar, como troco pelos sucessivos vazamentos de informação ocorridos na esfera controlada pelo bolsonarista André Mendonça, o ministro Alexandre de Moraes levantou o sigilo da decisão e dos relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF) nos quais baseou sua decisão (os quais indicam a adoção de condutas de improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade, além de quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a políticos, por parte de André Mendonça, incluindo a proteção de Flávio Bolsonaro e perseguição a filho de Lula, Fábio Luiz).
Mas, não ficou só nisso.
No calhamaço digital liberado pelo ministro Alexandre de Moraes estavam informações muito embaraçosas e, em poucas horas, a sociedade tomou conhecimento, não só do provável envolvimento do bolsonarista André Mendonça fuga dos presos da intentona do Oito de Janeiro, mas, também, dos seus encontros presenciais (e secretos) com o tóxico Daniel Vorcaro, de quem ganhara um terno de R$ 25 mil como mimo e, ainda, [tomou conhecimento] dos contratos suspeitos e volumosos firmados pelo Instituto ITER (do qual, diga-se de passagem, pediu para sair tão logo a maracutaia veio a público).
Não há dúvidas sobre o estrago causado pela atitude do ministro bolsonarista André Mendonça, mas, igualmente não há dúvidas sobre os raios que atraiu sobre si.
A atitude do bolsonarista André Mendonça constitui um típico caso daquele que foi tosquiar e voltou tosquiado.
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