3ª feira, 01 de setembro de 2026.
Embora pareça uma anomalia, a presença da bandeira do Reino Unido num dos confins do Atlântico Sul (assim como no Mediterrâneo, no Pacífico e por toda a parte) reflete a geopolítica dos tempos nos quais ‘o sol nunca se punha nas terras da rainha.
Agora, os tempos são outros e, impulsionado pela vontade psicótica de Donald Trump, é o Tio Sam quem deseja dar as cartas por todo o planeta.
De fato, em prova de que ‘um dia, a criatura pode se voltar contra a criatura’, depois de ter anunciado o desejo de controlar o Estreito de Gibraltar e roubar o ouro roubado pela Gran Bretanha da Venezuela, os Estados Unidos dão sinais de querer assumir o controle das Ilhas Malvinas, na costa da Argentina.
Para quem não lembra, embora esteja ao largo da Argentina, o Reino Unido se diz senhor do arquipélago, a quem chama de Falklands. Gostando ou não os britânicos, as Malvinas são argentinas, já tendo sido objeto de disputa sangrenta entre os dois países – em 1982, provavelmente por desespero político da junta militar liderada pelo general Leopoldo Galtieri, a Argentina invadiu o arquipélago, dando início a uma guerra na qual, até assinar a vergonhosa derrota para as tropas de Margaret Thatcher 14 de junho (a escaramuça durou apenas 74 dias), morreram 907 pessoas (das quais 649 jovens e inexperientes recrutas argentinos).
Pois bem.
Agora, esquecido que por ocasião da Guerra das Malvinas, os Estados Unidos traíram a carta da OEA e deram apoio ao Reino Unido, em claro indicador da liderança que imagina ter sobre o governo de Javier Milei, falando no Salão Oval horas depois de ter surrupiado 21% das reservas petrolíferas da Venezuela, o corsário Donald Trump anunciou que começou a ‘reavaliar a posição dos Estados Unidos em relação às Ilhas Malvinas’.
Para bom entendedor, meia palavra basta.
Não há qualquer dúvida de que, já considerando a Argentina parte do seu quintal, o Tio Sam decidiu tomar o arquipélago.
A dúvida persistente é se os EUA pretendem assumir o lugar do Reino Unido (e manter o nome Falkland), apoiar o justo reclamo da Argentina (que já considera um protetorado estadunidense) de retomar as ilhas (restabelecendo o nome Malvinas ou, ainda, arrebata-las de ambos e passar a chama-las Ilhas da America.
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos vão dar pistas sobre as intenções imediatas do império.
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