Há uma grande diferença no tratamento dado pelos governos de esquerda e de direita às questões sociais.
Ao tempo que os governos de esquerda (progressistas e humanistas) demonstram preocupação com o bem-estar social, criando programas para minimizar o sofrimento das pessoas, os governos de direita costumam desdenhar esta questão, pouco se lixando para as carências, tratando-as como mi-mi-mi, coitadismo e coisas que o valham, deixando-as [as pessoas] entregues ao ‘cada-um-por-si’ próprio do liberalismo.
Naturalmente, em função da alternância de poder e, sendo tratados como políticas de Estado (e não de Governo, como deve ser), os programas assistenciais beneficiam a todos, independentemente da opção política ou eleitoral do cidadão.
Assim, embora natural e obrigatória, justamente por ser natural e obrigatória, a sua universalidade mascara a paternidade dos programas assistenciais, levando a que seus beneficiários desconheçam sua origem política (chegando, mesmo, a creditá-los a forças políticas que sempre os combateram).
Este fenômeno é mais frequente entre os chamados pobres-de-direita, que, embora estejam entre os maiores beneficiários dos programas sociais, quase nunca sabem a quem se deve a sua existência.
De fato, uma pesquisa de opinião não seria o melhor instrumento para a descoberta da ‘paternidade’ de instrumentos sociais como férias, 13º salário, descanso remunerado, bolsa família, vale gás, pé de meia, minha-casa-minha-vida, luz para todos, mais médicos, licença médica remunerada, aposentadoria por tempo de serviço e outros tantos benefícios. Aliás, muitas pessoas chegam a pensar que, ao invés de frutos de muita luta ou da opção política de governos progressistas e humanistas, estes recursos de bem-estar social sempre existiram ou surgem naturalmente (como se nascessem por geração espontânea).
Se as pessoas soubessem da história do processo que levou a criação de cada um dos programas sociais, teriam condições de conhecer a sua paternidade e, contraponto, de identificar as forças políticas que combateram o seu surgimento (como agora fazem os bolsonaristas para impedir a provação do PL que estabelece o fim da jornada 6 x 1), adquirindo melhores condições para orientar as suas escolhas eleitorais.
Numa outra perspectiva da mesma questão, há quem afirme que, tendo em vista a possibilidade de a universalidade desrespeitar a vontade de alguns, talvez os programas sociais devessem ser oferecidos apenas às pessoas que, através de algum tipo de adesão, manifestassem voluntária e explicitamente o desejo de recebe-los.
Este tipo de providência funcionaria com uma espécie de prova de sinceridade política dos pobres-de-direita, que teriam a chance de abrir mão das benesses decorrentes de políticas próprias de governos de Esquerda.
Leia mais em www.alexandresanttos.com.br
A reprodução é permitida e desejável, especialmente se a fonte for citada
