Foi uma festa.
Na 5ª feira, dia 28 de setembro de 2025, a notícia de que o Primeiro Comando da Capital (PCC) tinha assumido o completo controle de expressivo setor do mercado financeiro, garantindo a injeção de bilhões e bilhões de reais nos negócios, deixou a Bolsa de Valores em êxtase, catapultando o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, aos 141.049 pontos — o segundo maior resultado da história – em alta de 1,32%.
Para quem não lembra, naquela 5ª feira, logo cedo, mais de 1.400 agentes públicos (delegados, agentes, policiais, procuradores, fiscais de renda) foram às ruas numa megaoperação contra o PCC (uma das principais organizações criminosas do País, cujo nome está associado ao narcotráfico, assaltos, sequestros, contrabando, financiamento do bolsonarismo e tudo o mais).
Inaugurando uma nova fase do combate ao crime, as sirenes estridentes não acordaram moradores das favelas e comunidades.
Desta vez, mirando os verdadeiros reis do crime, os delegados e procuradores se dirigiram a endereços chiques e escritórios acarpetados da Avenida Faria Lima, símbolo maior do poder financeiro e Meca dos banqueiros e endinheirados do Brasil, para atingir o cérebro financeiro do Crime.
Na realidade, envolvendo vários órgãos públicos em dez Estados, a chamada Operação ‘Carbono Oculto’ focou um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, com participação de importadores, usinas, postos, empresas transportadoras, fundos de investimento, fintechs e bancos controlados pela facção criminosa, deixando claro que o principal endereço do crime no País é a Avenida Faria Lima.
Ao final do dia, numa primeira apuração, foram divulgados números que, confirmando a parceria do crime com o mercado financeiro, apontam o controle do PCC sobre 40 fundos de investimentos com R$ 52 bilhões em patrimônio, negócios na bolsa B3 e domínio de toda a cadeia de álcool combustível.
Quando se observa o comportamento da extrema-direita brasileira a luz da promiscuidade das relações entre o crime organizado e o sistema financeiro melhor se compreende a ânsia como Centrão lutou pela aprovação da PEC da Impunidade e a leniência como o governador Tarcísio de Freitas vem tratando denúncias sobre o assunto.
De qualquer forma, contrariando aquilo desejado pelos parlamentares patrocinados por aquela turma, a Receita Federal enquadrou as fintechs no regime normativo dos bancos e o deputado Lindbergh Farias anunciou a intenção de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o assunto.
Este episódio ainda vai feder bastante, pois deixou claro que, na verdade, demonstrou que sem se importar com a origem do dinheiro, aquele pessoal vestudo, defensor da política de juros altos, [defensor] do ajuste fiscal com cortes radicais nos investimentos sociais, [defensor] do desmonte do Estado, das privatizações e do escancaramento da economia nacional ao capital estrangeiro, não passa de um bando de ladrões vinculados à mais rasteira bandidagem em ação no Brasil.
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