Completamente desconectado da realidade (desde muito), ele é deveras inconveniente.
Não apenas por ser pessoalmente desagradável e ainda [ser] barulhento e fedorento, mas também porque, sem compreender a situação na qual se meteu, além de reclamar das coisas que lhes são possíveis, exige outras que lhes são impossíveis.
Ele reclama da hora que acorda, reclama da comida ‘possivelmente envenenada’ que lhe é oferecida, reclama do ruído do ar-condicionado, reclama da solidão, reclama do espaço que lhe foi destinado dizendo-o ‘muito apertado’, reclama da cama na qual dorme dizendo-a ‘pouco confortável’, reclama estar privado de celular dizendo-se proibido de mandar e receber mensagens, reclama do regime das visitas, reclama da ausência da mulher dizendo-se abandonado e possivelmente chifrado, reclama não ouvir o ‘bom dia’, ‘boa tarde’ e ‘boa noite’ que (à exemplo daquilo já feito com outra pessoa) provavelmente os fãs estariam gritando em alguma lugar, reclama atendimento médico e diz precisar tratamento médico periódico para cuidar da saúde, reclama estar tossindo, espirrando, soluçando e tudo o mais, reclama ter sido abandonado por quem jurou amor no passado, reclama ser perseguido por todos, especialmente pelos carecas de toga, reclama estar morto de tédio pois não tem o que fazer e não saber ler.
Mas não é só isso.
Ele diz querer voltar para casa, jura vingança àqueles que estão se aproveitando da sua ausência para ganhar carinhos da sua esposa reconhecidamente volúvel e, na intimidade, pensa até em fazer uma delação premiada para, quem sabe, negociar alguma vantagem ou, pelo menos, se vingar de todos aqueles que julga inimigo.
O fato é que ninguém aguenta mais vê-lo por perto e, com o fervor de sempre, torce pela sua transferência para o lugar mais distante possível.
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