A fama dela não era boa.
Pudera!
Cumprindo a trajetória das alpinistas, ganhara e subira na vida pulando de cama em cama, fazendo de tudo com todos capazes de pagar as valiosas prendas que cobrava pelos seus carinhos indescritíveis e inesquecíveis.
E foi assim até que, um dia, apareceu um príncipe encantado com disposição suficiente para tira-la do metier.
Embora a proposta fosse irrecusável, não lhe dera a mão em casamento de imediato.
Não só pela necessidade de receber garantias concretas de que passaria a auferir renda superior àquela paga pelo vuc-vuc e pelo lavou-tá-novo, mas, também, porque precisava de se despedir dos antigos e valiosos clientes, com os quais (ninguém sabe o dia de amanhã) poderia voltar a fazer negócios.
No início, tudo correu como prometera o príncipe encantado e, mesmo aturando aqui ou ali uma mão boba mais atrevida, ela saiu do putaneè e, pelo menos ao que se saiba, soube se portar como faria uma dama na sua situação.
Embora voluntariosa e cheia de mistérios, apesar do falatório, ela jurava ter se regenerado e se dar apenas para o seu príncipe encantado.
Quem a conhecia de outros carnavais, no entanto, sabia do vulcão que carregava entre as pernas e achava ser quase impossível a jura de fidelidade por ela alardeada.
As desconfianças aumentaram quando, sob a desculpa de cumprir afazeres próprios da vida na corte, começou a viajar em companhia deste ou daquele baronete.
Segundo os fofoqueiros, as ausências da princesa consorte passaram a ser mais frequentes à medida que aumentavam os problemas políticos do príncipe, arrastando-o para o ocaso da vida palaciana.
Os adversários não davam trégua ao príncipe, avolumando os processos que corriam contra ele. Neste tempo, as aparições do casal foram se tornando cada vez mais raras.
O burburinho aumentou, explodindo no dia que, por problemas que não cabem aqui discutir, de manhã logo cedo, ainda quase madrugada, a guarda real invadiu os aposentos de sua alteza para prendê-lo.
Para surpresa de todos, a princesa consorte não estava em casa. O falatório cresceu e, ainda naquela manhã, por toda a cidade, não se falava noutro assunto senão onde a princesa passara a noite.
Maldade pura!
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